O governo da África do Sul solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir o ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro e da esposa dele, Clicia Flores. Para Pretória, a ação representa violação direta da Carta das Nações Unidas.
Na avaliação do governo sul-africano, o texto da Carta determina que os Estados-Membros devem se abster da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial, ou a independência política de outro país. O comunicado aponta que esse princípio foi desrespeitado na operação conduzida por Washington.
O posicionamento oficial também destaca que a Carta da ONU não autoriza intervenções militares externas em assuntos considerados de jurisdição interna de estados soberanos, reforçando a defesa do princípio da não intervenção.
REAÇÃO GLOBAL
Em nota, o governo da África do Sul afirma que a História demonstra que invasões militares contra estados soberanos produzem instabilidade e aprofundam crises já existentes. Segundo o texto, o uso unilateral e considerado ilegal da força compromete a ordem internacional e o princípio da igualdade entre as nações.
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela é tratado como mais um episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. O último caso semelhante ocorreu em 1989, no Panamá, quando tropas norte-americanas capturaram o então presidente Manuel Noriega, sob acusação de narcotráfico.
A comparação entre os dois episódios aparece de forma explícita no debate internacional. Assim como no caso panamenho, autoridades norte-americanas acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano conhecido como De Los Soles, sem apresentar provas públicas.
CRÍTICAS INTERNACIONAIS
Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a própria existência do cartel citado pelas autoridades dos Estados Unidos. Analistas avaliam que as acusações carecem de fundamentos técnicos e jurídicos reconhecidos internacionalmente.
O governo do presidente Donald Trump havia anunciado uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro. A medida foi interpretada por críticos como parte de uma estratégia de pressão política e diplomática.
Para analistas internacionais, a ofensiva teria motivações geopolíticas, como afastar a Venezuela de aliados estratégicos dos Estados Unidos, entre eles China e Rússia. O controle sobre o petróleo venezuelano, que concentra as maiores reservas comprovadas do Planeta, também aparece como fator central.
POSIÇÃO DA ESPANHA
A reação europeia ganhou destaque com a declaração do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Segundo ele, Madri não reconhecerá uma intervenção dos Estados Unidos na Venezuela que viole o Direito Internacional.
Pedro Sánchez afirmou que a Espanha não reconhece o governo de Nicolás Maduro, mas também não aceitará uma ação militar que empurre a região para um cenário de incerteza e beligerância. A declaração foi publicada neste sábado (3) na rede social X (antigo Twitter).
O primeiro-ministro espanhol também fez um apelo às partes envolvidas para considerarem a situação da população civil, respeitem a Carta das Nações Unidas e busquem uma transição política justa, dialogada e pacífica.
Com informações da Agência Brasil.
