Fortaleza inicia a temporada 2026 diante de um cenário fora dos trilhos que haviam construído nas últimas temporadas. Após terminar o Campeonato Brasileiro de 2024 em quarto colocado, o clube sofreu o rebaixamento em 2025 e agora enfrenta uma fase de profunda reorganização, envolvendo mudanças técnicas, reformulação de elenco e ajuste financeiro.
O grande desafio do Tricolor do Pici é recuperar sua competitividade na Série B em meio às saídas repentinas e orçamentos reduzidos sem comprometer o futuro do projeto.
O elenco se reapresentou na tarde desta sexta-feira (2), sob o comando de Thiago Carpini, contratado para liderar o novo ciclo após o treinador Martín Palermo decidir não renovar com o clube cearense. Os jogadores se reuniram no Centro de Excelência Alcides Santos, iniciando a pré-temporada com avaliações físicas e foco na continuidade das atividades, que se estenderão no final de semana.
Reformulação do elenco e saídas de peso
O clube passou por uma reformulação significativa. Além da chegada de Carpini, o lateral-direito Mailton é a principal novidade entre os reforços. Em contrapartida, saíram nomes importantes do ano anterior, como o técnico Palermo, o CEO Marcelo Paz, o zagueiro Kuscevic, o lateral Tinga e o ponta Yago Pikachu.
A diretoria ainda analisa renovações pontuais, como a situação de Pierre (do Tombense), enquanto jogadores de destaque, como Marinho, encerram contrato ao fim de 2025. Apesar das saídas, o Tricolor mantém uma base importante para 2026, incluindo goleiros como João Ricardo e Brenno, defensores como Brítez e Benevenuto, e atacantes de peso como Deyverson, Moisés e Lucero, que está sendo “paquerado” pelo Universidade de Chile nos últimos dias.
Ajuste financeiro e cortes
O orçamento para 2026 foi aprovado em R$ 225 milhões, 42% menor que os R$ 387 milhões de 2025, e o operacional será ainda menor, cerca de R$ 182 milhões, pois parte será destinada à rolagem de dívidas. A queda nas receitas decorre principalmente da redução das cotas de televisão, reflexo do rebaixamento.
Problemas na justiça
Além dos problemas financeiros e estruturais de todo clube rebaixado, o Leão do Pici enfrenta ações judiciais de jogadores como Felipe Jonatan e Bruno Pacheco, ambos laterais-esquerdos que já atuaram no Ceará Sporting Club. Jonatan, atualmente emprestado ao Mirassol, reivindica salários atrasados, décimo terceiro, férias, FGTS, luvas, indenização por assédio moral e cláusula compensatória desportiva. Bruno Pacheco também entrou com ação cobrando valores atrasados, solicitando rescisão indireta.
Perda de patrocínio histórico
No último dia do ano de 2025, o Fortaleza anunciou a rescisão antecipada do contrato com a Cassino Bet, maior patrocínio da história do clube, que previa repasse de R$ 70 milhões. A decisão, tomada pela própria marca após o rebaixamento, encerrou o vínculo antes do previsto. A diretoria segue em busca de novas oportunidades comerciais alinhadas aos valores institucionais do clube.

Saída de dirigentes e impacto administrativo
O ex-CEO Marcelo Paz, que esteve sobre à frente do comando do clube por cerca de 9 anos, deixou o Fortaleza rumo ao Corinthians, levando consigo profissionais experientes do Tricolor do Pici.
Além dele, o diretor de operações Thiago Ayres e o supervisor de futebol Júlio Manso, que trabalhou 17 temporadas em três passagens, também deixaram o clube. A saída de executivos de peso marca uma transformação profunda na estrutura administrativa do Fortaleza.
A pré-temporada segue até o início do Campeonato Cearense, com o técnico Thiago Carpini podendo utilizar as primeiras rodadas como extensão do trabalho de preparação, preservando atletas para a Série B, Copa do Nordeste e Copa do Brasil.
