Fechando 2025 em alta, o Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará manteve trajetória de crescimento no terceiro trimestre, com destaque para o desempenho dos setores produtivos: agropecuária e serviços. Na comparação com o mesmo período de 2024, o PIB cearense avançou 2,25%, enquanto o setor de Serviços cresceu 2,39%, resultado significativamente superior ao nacional (1,3%). O desempenho reforça o peso do setor terciário na dinâmica econômica do Estado, impulsionado por atividades como comércio, turismo, transporte e serviços às empresas.
Além do avanço frente ao ano anterior, a economia cearense apresentou crescimento de 1,29% em relação ao segundo trimestre de 2025 e acumulou alta de 2,96% no período de janeiro a setembro. No recorte setorial, a Agropecuária registrou o maior crescimento no trimestre (5,30%), seguida pelos Serviços, enquanto a Indústria avançou 1,14%.
Os resultados colocam o Ceará em posição de destaque no cenário nacional, superando o desempenho do Brasil em todos os principais indicadores e também de economias estaduais relevantes, como de São Paulo, Bahia e Paraná. A projeção do Ipece para 2025 aponta crescimento de 3,15% do PIB cearense, acima da média brasileira, com expectativa de manutenção do ritmo em 2026. O cenário reforça a centralidade do setor de Serviços na estratégia de desenvolvimento econômico do Estado e sua capacidade de puxar o crescimento em um ambiente de desaceleração nacional.
Além da estratégia: quando a coragem move negócios de milhões
Há quem diga que empreender é uma soma de planilhas, estratégia e visão de futuro. Mas basta circular por qualquer “mesa de negócios” para descobrir que os bastidores do sucesso raramente cabem em um gráfico. Ali, onde decisões bilionárias nascem do improviso, da intuição ou de um baque inesperado da vida, fica claro que o motor de um grande negócio costuma ser humano.
Lançado em 2025, o Programa Mesa de Negócios, do Opinião CE, já se tornou um espaço indispensável para quem vive ou deseja viver o universo do empreendedorismo. A cada episódio, empresários de diferentes segmentos compartilham histórias, aprendizados e estratégias que inspiram e entregam insights valiosos. Na coluna de hoje, reunimos algumas dessas ideias que merecem sua atenção.
Crescer é dever, literalmente
Entre essas histórias, uma começa com um princípio curioso: todo empreendedor precisa aprender a dever. Não por irresponsabilidade, mas por estratégia. Investir custa caro e, para quem quer escalar rápido, o crédito deixa de ser vilão para se tornar ferramenta. O protagonista dessa trajetória enfrentou um problema pessoal que virou combustível. Na crise, encontrou coragem, apoio e uma oportunidade. Resultado: vendeu duas empresas por R$ 25 milhões, migrou para setores de tecnologia e energia limpa e hoje comanda um negócio avaliado em R$ 40 milhões. A lição? Às vezes, o salto só acontece quando a vida empurra.
O legado que vira inovação
Outra história começa há quase um século, quando um avô comerciante plantou as bases de um negócio familiar. Décadas depois, ao assumir a empresa, um herdeiro decidiu que manter o legado não significava repetir fórmulas. Estudo de mercado, rastreabilidade de produtos e, acima de tudo, investimento em pessoas tornaram a marca reconhecida por valorizar seus colaboradores. Mas uma das estratégias mais ousadas surgiu da escala de trabalho: 12 horas de expediente, folga no dia seguinte. Simples, eficiente e transformador. O modelo, que começa a ser adotado por outras empresas, equilibra produtividade e qualidade de vida e, no balcão da nova economia, isso tem grande valor.
Instinto, pandemia e 120 mil litros de cerveja artesanal
Se alguns empreendedores recorrem a pesquisas, outros preferem confiar no instinto ou, no caso, no paladar do público. Durante a pandemia, um empresário do setor de bebidas viu oportunidade onde muitos viram incerteza. Criou um sistema que permitia ao cliente ter um barril de cerveja artesanal gelada em casa por até seis dias. Levou o produto para lives, eventos fechados, e o negócio explodiu. Comprou concorrentes, adquiriu uma fábrica e hoje produz 120 mil litros de cerveja por mês. Para ele, a palavra que resume o caminho é uma só: resiliência.
Moda que escuta o consumidor
No varejo de moda, a história começa com um desafio antigo: três jovens que precisaram tocar o negócio deixado pelo pai. Décadas depois, o legado segue vivo e competitivo. Por trás do crescimento, há uma premissa clara: quem dita as tendências não são somente as passarelas, mas principalmente os consumidores. Pesquisas constantes, análise de comportamento e testes com protótipos orientam decisões. O marketing, apoiado por um jingle marcante, completa a estratégia. O resultado se vê nas vendas estáveis, mesmo num mercado cada vez mais volátil.
Da ciência à inovação que faltava
Há também quem tenha unido a paixão pela ciência ao espírito empreendedor para suprir uma demanda quase invisível. Foi assim que nasceu uma empresa de diagnóstico in vitro, atendendo humanos e animais, em um estado onde a oferta era mínima. Com apoio familiar, o negócio cresceu rapidamente e hoje está avaliado em R$ 100 milhões.
Mais que técnica, uma travessia
Olhando para todas essas histórias tão diferentes, mas, ao mesmo tempo, parecidas, fica claro que empreender não é um manual, e sim uma travessia. É sobre aprender a lidar com riscos. Sobre ter uma rede de apoio quando o medo aperta. Sobre transformar dor em energia, intuição em estratégia e oportunidade em impacto. Para sentar em uma Mesa de Negócios, é preciso mais do que dom ou talento. É necessário coragem para começar, paixão para continuar e resiliência para não parar.
No fim, os números contam uma parte da história. A outra parte são as pessoas, sempre elas que fazem da economia um organismo vivo. É esse encontro entre instinto, estratégia e coração que segue movendo o crescimento econômico e social de tantos empreendedores no Brasil.
Este material é produzido pelos jornalistas Karla Sousa e Jordan Vall, e tem o apoio da C. Rolim Modas.

