Menu

GuardeÁgua: app ajuda agricultores do semiárido a identificar áreas para barragens subterrâneas

Foto: Opinião CE

Agricultores familiares, técnicos e profissionais que atuam no semiárido brasileiro passaram a contar com uma nova ferramenta digital para enfrentar os efeitos das estiagens prolongadas. O aplicativo GuardeÁgua, desenvolvido pela Embrapa Solos em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), permite identificar áreas adequadas para a construção de barragens subterrâneas – tecnologia social fundamental para a retenção de umidade no solo e a garantia da produção agrícola em regiões de baixa pluviosidade.

Disponível gratuitamente para celulares Android, por meio da Play Store, e também em versão web, o GuardeÁgua está em fase beta e tem como principal objetivo tornar mais precisa a decisão sobre a viabilidade da barragem subterrânea em cada terreno. Embora amplamente utilizada no semiárido, a Embrapa ressalta que a tecnologia não é indicada para todos os tipos de solo e relevo, o que torna a avaliação técnica essencial.

Segundo a Embrapa Solos, o aplicativo se destaca por ser uma solução digital inovadora, com interface simples e orientadora, voltada ao uso prático no campo. A ferramenta foi criada para reduzir erros na escolha do local de implantação da barragem, oferecendo mais segurança técnica aos produtores.

Foto: Reprodução/PlayStore

Funciona offline e gera relatório técnico

Pensado para a realidade rural, o GuardeÁgua funciona mesmo sem acesso à internet. O usuário pode coletar os dados diretamente no campo e, quando a conexão for restabelecida, as informações são sincronizadas automaticamente com a plataforma.

Para realizar a análise, o agricultor ou técnico insere dados sobre solo, relevo, clima, geologia e vegetação da área. A partir dessas informações, o sistema apresenta três possíveis resultados:

  • Apto: local adequado para a construção da barragem subterrânea;
  • Restrito: área viável, mas com limitações técnicas;
  • Inapto: local não recomendado para a tecnologia.

O resultado pode ser visualizado na tela ou baixado em formato PDF, acompanhado de uma justificativa técnica detalhada, o que facilita o planejamento e a tomada de decisão.

Manejo do solo e indicação de culturas

Além da avaliação de viabilidade, o GuardeÁgua oferece orientações básicas de manejo do solo e da água, com recomendações de práticas conservacionistas e de irrigação, especialmente nos casos classificados como “Apto” ou “Restrito”.

O aplicativo também indica culturas agrícolas mais adequadas para cada área analisada. Ao selecionar uma cultura, o usuário é direcionado ao Portal Embrapa, onde encontra informações técnicas completas sobre produção, sistemas de cultivo e criação. A ferramenta integra ainda dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e do aplicativo Zarc Plantio Certo, que apontam os períodos mais seguros para o plantio em cada município.

Foto: Reprodução/Embrapa

Capacitações previstas no semiárido

Conforme a Embrapa Solos, estão previstas capacitações presenciais em todos os 11 estados do semiárido brasileiro no primeiro semestre de 2026 – com o Ceará incluído na lista. A iniciativa será coordenada pela Embrapa e pela ASA, com apoio financeiro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Durante o lançamento do aplicativo, já foram realizados dois treinamentos práticos em propriedades rurais de São José da Tapera, em Alagoas, reconhecidas como referência no uso da tecnologia de barragens subterrâneas.

Lançamento e homenagem

A cerimônia oficial de lançamento do GuardeÁgua ocorreu no último dia 10, em Santana do Ipanema (AL), reunindo representantes do MDS, Embrapa, ASA, Prefeitura local, Senar Alagoas e agricultores familiares. O evento também prestou homenagem ao pesquisador Luís de França da Silva Neto, da Embrapa Solos, que liderava o desenvolvimento do aplicativo e faleceu em outubro de 2024, aos 44 anos.

Reconhecido pela atuação em projetos voltados à agricultura familiar e ao manejo sustentável dos solos, Luís de França deixou contribuições relevantes para o avanço das tecnologias hídricas no semiárido, agora materializadas em uma ferramenta digital que une ciência, inovação e impacto social.