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Dieese prevê impacto de R$ 81,7 bilhões com reajuste do salário mínimo em 2026

Atualmente, 70,8% dos beneficiários do sistema recebem até um salário mínimo (Foto: Marcello Casal Jr | Agência Brasil)

O reajuste do salário mínimo para R$ 1.621, válido a partir de 1º de janeiro de 2026, deverá gerar um impacto expressivo na economia brasileira. De acordo com estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o novo valor deve acrescentar R$ 81,7 bilhões em circulação ao longo do próximo ano.

O piso nacional terá um aumento nominal de 6,79% em relação ao valor atual. O reajuste segue as regras estabelecidas pela Lei nº 14.663/2023, que instituiu a política permanente de valorização do salário mínimo, respeitando os limites fiscais definidos pela Lei Complementar nº 200/2023.

O cálculo do Dieese leva em conta dois componentes principais: a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que acumulou alta de 4,18% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024, limitado ao teto fiscal de 2,5%.

Atualmente, cerca de 61,9 milhões de pessoas no país têm renda atrelada ao salário mínimo. Com o reajuste, a ampliação da massa de rendimentos deve fortalecer o consumo de bens e serviços, aquecendo o mercado interno e impulsionando setores como comércio, transporte e prestação de serviços.

O Dieese destaca que, caso ainda estivesse em vigor a regra anterior, que permitia a incorporação integral do crescimento do PIB, de 3,4%, o salário mínimo chegaria a R$ 1.636. Nesse cenário, a injeção de recursos na economia seria de R$ 93,7 bilhões, R$ 12 bilhões a mais do que o previsto atualmente.

O aumento do salário mínimo também tem reflexos diretos sobre os gastos previdenciários. Atualmente, 70,8% dos beneficiários do sistema recebem até um salário mínimo. Segundo o levantamento, cada R$ 1 de reajuste representa uma despesa adicional anual de R$ 380,5 milhões. Com a elevação total de R$ 103, o impacto anual estimado na Previdência é de aproximadamente R$ 39,1 bilhões.