A vereadora de Fortaleza, Adriana Gerônimo (Psol), afirmou ter recebido ameaças de morte na madrugada desta quarta-feira (24). De acordo com a parlamentar, ela recebeu um e-mail com ameaças voltadas a ela e à sua esposa. O teor da mensagem, segundo a legisladora, mostra que a ameaça é motivada “exclusivamente pelo fato de sermos duas mulheres LGBTs”.
A Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE) já investiga o caso, conforme informou a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) ao Opinião CE. A unidade que está a cargo da investigação é a Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Intolerância Religiosa ou Orientação Sexual (Decrin), onde foi registrado o Boletim de Ocorrência (BO) por Adriana.
Em nota publicada nas suas redes sociais, Adriana explica ainda que há a menção, por parte de quem enviou o e-mail, da intenção de assassiná-las em frente à sua casa. O autor da mensagem também teria descrito o tipo de arma que pretende utilizar e de que forma o faria.
“Trata-se de uma violência brutal, covarde e inaceitável, que não pode ser naturalizada”, escreveu a vereadora.
Adriana informou, por meio da nota, que acionou as redes de proteção e órgãos de segurança como a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), o Sistema de Proteção e a presidência da Câmara de Fortaleza (CMFor), com o objetivo de registrar formalmente a ocorrência e cobrar “apuração rigorosa, responsabilização dos autores e garantia de nossa integridade física”.
Ainda de acordo com a legisladora, o conteúdo do texto direcionado a ela e à sua esposa utiliza referências do supremacismo branco combinado com ódio racial, misoginia e LGBTfobia. “Configura não apenas uma ameaça individual, mas contra grupos historicamente vulnerabilizados”, afirmou.
A vereadora lembra que a ameaça ocorreu à véspera do Natal, “celebrado por milhares de pessoas, marcado pelo amor, pela comunhão e pela mensagem de paz ensinada por Jesus Cristo”.
Apoio institucional da CMFor
Em nota enviada ao Opinião CE, a Presidência da Câmara afirmou receber com “profunda indignação” a denúncia de ameças à vida de Adriana. “Colocamos-nos imediatamente à inteira disposição da vereadora para prestar todo o apoio institucional necessário, colaborando com a adoção de medidas que garantam sua segurança, sua integridade física e o pleno exercício de seu mandato. Além disso, iremos acompanhar de perto os fatos, para que os autores sejam identificados e responsabilizados”, aponta a CMFor.
A nota, assinada pelo presidente Léo Couto (PSB), conclui informando que repudia veementemente qualquer forma de violência, intimidação, discriminação ou discurso de ódio.
“A violência política é inaceitável e representa um ataque à democracia e ao direito de representação da população de Fortaleza”, finaliza.
Confira nota da Presidência da CMFor na íntegra
Recebemos com profunda indignação a denúncia de ameaças à vida da vereadora Adriana Gerônimo (Psol), que inclui ataques homofóbicos e racistas motivados por sua orientação sexual e por sua atuação parlamentar.
Colocamos-nos imediatamente à inteira disposição da vereadora para prestar todo o apoio institucional necessário, colaborando com a adoção de medidas que garantam sua segurança, sua integridade física e o pleno exercício de seu mandato. Além disso, iremos acompanhar de perto os fatos, para que os autores sejam identificados e responsabilizados.
A Câmara de Fortaleza repudia veementemente qualquer forma de violência, intimidação, discriminação ou discurso de ódio. A violência política é inaceitável e representa um ataque à democracia e ao direito de representação da população de Fortaleza.
