O Ceará deu um passo significativo na política de preservação ambiental com a criação de cinco novas Unidades de Conservação (UCs) estaduais, todas localizadas no bioma Caatinga. As propostas foram debatidas em consultas públicas realizadas em outubro, em diferentes municípios cearenses, e integram o projeto GEF Terrestre – Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal, desenvolvido em parceria com a Associação Caatinga.
As novas UCs são: Área de Proteção Ambiental (APA) Serras de Irauçuba, em Irauçuba; Monumento Natural (MONA) Furna dos Ossos, em Tejuçuoca; Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Pontal da Serra da Ibiapaba em Graça, Pacujá e Reriutaba; Refúgio de Vida Silvestre Picos (REVIS) da Caatinga, em Canindé e Itatira; e a APA Serras da Caatinga, inserida nos municípios de Canindé, Itatira e Santa Quitéria.
O objetivo é ampliar a proteção de áreas estratégicas do ponto de vista ecológico, geológico, cultural e paisagístico, além de fortalecer o manejo sustentável e a conservação da biodiversidade.
Mesmo após as audiências públicas, a população pôde encaminhar sugestões, críticas, dúvidas e contribuições técnicas sobre as propostas apresentadas. Segundo o Governo do Estado, a intenção foi aprimorar os estudos e garantir que as decisões refletissem os interesses coletivos e a realidade das comunidades locais.
A matéria foi atualizada às 9h08 desta sexta-feira (26) com os nomes definidos em decreto pela Secretaria do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Ceará.
Parque Estadual Furna dos Ossos
Localizado entre os municípios de Tejuçuoca e Canindé, o Parque Estadual Furna dos Ossos abrange uma área de 1.458,82 hectares, sendo 82% em Tejuçuoca e 18% em Canindé. O local se destaca por seu exuberante conjunto geológico, com formações rochosas que lembram objetos, animais e figuras humanas.
Entre os atrativos naturais estão as grutas do Veado Campeiro, do Sino, da Mesa, do Jardim, do Macaco e do Amor, além do Mirante Arco de Deus, do Túnel do Amor e de estalactites e estalagmites seculares. A área possui elevações entre 450 e 630 metros acima do nível do mar, e uma das formações mais conhecidas é a rocha que lembra a cabeça de um indígena.
Área de Proteção Ambiental (APA) Serras de Irauçuba
A APA Serras de Irauçuba tem alta relevância ecológica e biológica, evidenciada pela ocorrência de espécies ameaçadas e raras, dentre as quais se destacam o urubu-rei (Sarcoramphus papa), a jaguatirica (Leopardus pardalis) e a jacucaca (Penelope jacucaca). Está inserida em zona prioritária para restauração ecológica, localizada em um dos principais núcleos de desertificação do Estado do Ceará, o que reforça a relevância estratégica da UC na mitigação da degradação ambiental e na promoção da resiliência ecológica regional.
O urubu-rei é uma espécie considerada rara e considerada fundamental para o equilíbrio ecológico por atuar como “faxineira” da natureza, contribuindo para a limpeza ambiental e a prevenção de doenças. A área em questão é reconhecida como reprodutiva da espécie.

Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Pontal da Serra da Ibiapaba
Com área de 6.134,39 ha, localizada nos municípios de Graça, Pacujá e Reriutaba, a ARIE Pontal da Serra da Ibiapaba pretende manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da natureza. A nova ARIE é estrategicamente próxima de UCs federais e estaduais situadas no entorno, tais como o Parque Nacional de Ubajara, Área de Proteção Ambiental da Serra da Ibiapaba e a Área de Proteção Ambiental da Bica do Ipu, fator que favorece a conectividade ecológica e a gestão integrada dos territórios protegidos.
APA Serras da Caatinga
Com 66.347,38 hectares, a Área de Proteção Ambiental Serras da Caatinga é a maior das UCs propostas. A área engloba os municípios de Canindé, Itatira e Santa Quitéria, com predominância em Canindé, que concentra cerca de 65% do território protegido.
A APA abrange o maciço cristalino da Serra do Machado, uma das serras úmidas do Ceará, rica em biodiversidade e ecossistemas de elevado valor ecológico. A criação da unidade é considerada estratégica diante de impactos ambientais como a fragmentação da vegetação, o uso inadequado do solo e práticas agrícolas que comprometem a conectividade ecológica.

Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Picos da Caatinga
Com área de 2.181,77 ha, localizado nos municípios de Canindé e Itatira, o REVIS Picos da Caatinga visa proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória.
A UC foi criada considerando a carência de áreas protegidas no território, evidenciando a necessidade de criação de novos espaços oficialmente protegidos para assegurar a conservação da biodiversidade local. A área registra a ocorrência espécies de fauna ameaçadas de extinção, como maria-do-nordeste (Hemitriccus mirandae), vira-folha-cearense (Sclerurus cearensis) e chupa-dente-do-nordeste (Conopophaga cearae), cuja sobrevivência depende da manutenção de remanescentes florestais preservados e conectados.
