O presidente Lula (PT) assinou, nesta terça-feira (23), decreto do Governo Federal que reconhece a cultura gospel como manifestação cultural nacional. De acordo com o chefe de Estado, o reconhecimento é um passo importante “de acolhimento e respeito à comunidade e ao povo evangélico do Brasil” e para o apoio a artistas, agentes culturais e espaços comunitários envolvidos na cena.
O petista afirmou que, apesar de o Estado ser laico, ele não é “indiferente à fé do seu povo”.
Durante o evento, ele afirmou que a falta do ato oficializando a ação dificultava a inclusão da cultura gospel no planejamento das políticas públicas. Em aceno ao eleitorado evangélico, acrescentou que o decreto confirma que a fé também “se expressa como cultura, como identidade e como história viva” do povo.
“Abre portas para valorização, promoção e proteção não só da música, mas de todas as manifestações da cultura gospel no âmbito das nossas políticas públicas”, disse.
O reconhecimento da cultura gospel como manifestação cultural veio de um pedido da senadora Eliziane Gama (PSD-MA).
Na cerimônia, o presidente recebeu uma oração do deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), ex-apoiador de Jair Bolsonaro (PL).
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Aceno ao eleitorado evangélico
Com o decreto, poderão ser promovidas a formação de profissionais, de agentes culturais e gestores e a articulação federativa para a inclusão da cultura gospel nas políticas locais e no sistema nacional de cultura.
O pastor da Nossa Igreja Brasileira, Marco Davi de Oliveira, durante o evento, afirmou que o decreto é “mais um aceno do governo ao povo evangélico”.
“Este aceno nos dá a certeza de que ele ratifica a democracia neste país, que há de continuar democrata, porque essa, sim, é a vontade de Deus. E nós olhamos a cultura e vemos a cultura gospel sendo respeitada e sendo valorizada através desse decreto”, disse.
A “mais um” aceno, o pastor se refere a ações de governos passados de Lula. Como lembrou o presidente, em seus primeiros mandatos, já realizou ações como a criação da Marcha para Jesus como manifestação de fé e cultura popular, em 2009, e a assinatura da lei da liberdade religiosa, em 2003. Já no ano passado, no terceiro mandato, ele sancionou a lei que criou o Dia Nacional da Música Gospel.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que o decreto fortalece os direitos culturais de todos os brasileiros.
Segundo ela, a cultura gospel é uma das expressões da diversidade cultural, traduzida, entre outros, em música, literatura, teatro, artesanato, economia criativa e formas de convívio comunitário.
