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Segunda parcela do 13º salário será usada no pagamento de dívidas

A segunda parcela do 13º salário injetou R$ 131,8 bilhões na economia brasileira neste mês, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor representa crescimento nominal de 5,7% em relação a dezembro do ano passado e avanço real de 0,7%, já descontada a inflação do período.

Apesar do aumento dos recursos, o destino do dinheiro segue concentrado no equilíbrio das contas domésticas. Pelo quinto ano consecutivo, a quitação e o abatimento de dívidas aparecem como principal uso do 13º salário pelos trabalhadores brasileiros.

Em 2025, cerca de 35% da segunda parcela, o equivalente a R$ 45,8 bilhões, estão direcionados ao pagamento de dívidas. O montante supera os gastos previstos no comércio, estimados em R$ 36,5 bilhões, e em serviços, que devem receber R$ 33,8 bilhões.

ORÇAMENTO FAMILIAR

A poupança deve absorver aproximadamente R$ 15,7 bilhões do total liberado neste mês. O movimento reforça a cautela das famílias diante de um cenário econômico marcado por juros elevados e renda comprometida.

Segundo o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o comportamento reflete a pressão financeira enfrentada pelos consumidores. Para ele, o 13º salário segue cumprindo papel essencial no reequilíbrio do orçamento doméstico.

A avaliação destaca que, embora o pagamento de dívidas seja positivo do ponto de vista financeiro, essa escolha limita um impulso mais forte ao consumo no período de fim de ano.

ENDIVIDAMENTO ALTO

O elevado nível de comprometimento da renda explica a preferência por quitar dívidas. Estimativas da CNC indicam que, ao final de 2025, cerca de 30,9% da renda média das famílias estará comprometida com obrigações financeiras, patamar considerado historicamente alto.

Dados do Banco Central mostram avanço de 0,7 ponto percentual nesse indicador nos últimos 12 meses. A projeção aponta manutenção da pressão sobre o orçamento familiar pelo menos até o início de 2026.

Conforme a CNC, cada aumento de um ponto percentual no comprometimento da renda reduz em 1,1% a propensão ao consumo, o que ajuda a explicar o ritmo mais contido das compras neste período.

CRÉDITO CARO

O custo do crédito também atua como fator de restrição. A taxa média de juros das operações com recursos livres para pessoas físicas chegou a 58,7% ao ano, o maior nível registrado para este período nos últimos oito anos.

A inadimplência nessas operações alcançou 5,6% da carteira, o patamar mais elevado em 13 anos. O cenário reforça a cautela das famílias ao decidir como utilizar o dinheiro extra do 13º salário.

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o contexto impõe limites claros à expansão do consumo, mesmo com um mercado de trabalho mais favorável.

NATAL MODERADO

A avaliação indica que o 13º salário ajuda a organizar as finanças, mas tende a gerar impacto mais contido nas vendas. Ainda assim, o comércio deve sentir efeito positivo típico do mês de dezembro.

Historicamente, o último mês do ano registra aumento médio de 25% no volume de vendas em relação a novembro. O impacto costuma ser mais forte em segmentos como vestuário, calçados, livrarias, papelarias e lojas de utilidades domésticas.

Para este ano, a CNC estima crescimento de 2,1% no volume de vendas de Natal, já descontada a inflação, sinalizando um desempenho positivo, porém limitado pelas restrições financeiras das famílias.