Em meio à criação da Empresa Cearense do Audiovisual (ECAVI), o Governo do Ceará reafirmou que o fortalecimento do cinema e das novas mídias não ocorre em detrimento da literatura e do livro impresso. Em entrevista ao Opinião CE, a secretária da Cultura, Luisa Cela (PT), destacou que as políticas públicas da Secult contemplam de forma equilibrada diferentes linguagens artísticas, incluindo o mercado editorial.
Segundo a secretária, o estado mantém investimentos contínuos na área da literatura. Um dos exemplos recentes foi a realização de uma das maiores bienais do livro do Ceará, que movimentou mais de R$ 13 milhões na comercialização de obras impressas. Além disso, a Secult destina cerca de R$ 2 milhões por ano para a aquisição de acervos, fortalecendo bibliotecas públicas, livrarias e sebos em todo o estado.
Luisa Cela ressaltou que o apoio à literatura é estruturante e permanente, ao lado das políticas voltadas ao audiovisual. Para ela, não existe concorrência entre as linguagens, mas complementaridade. “O audiovisual nasce da escrita, do roteiro, da palavra“, afirmou, ao defender que o incentivo ao cinema também estimula a produção literária.
A secretária também rebateu a ideia de que os investimentos no audiovisual beneficiariam apenas um grupo restrito de profissionais. De acordo com ela, os recursos aplicados pela Secult alcançam produção, circulação, formação e cineclubes, impactando milhares de pessoas em diferentes regiões do Ceará. Segundo Luisa, foi feito um investimento recente de cerca de R$ 15 milhões no fomento a essas áreas da cultura.
Ela citou iniciativas como os cursos e laboratórios da Escola Porto Iracema das Artes e as ações do Centro Cultural do Bom Jardim, que formam jovens de diversos territórios. Também mencionou produções realizadas no interior do estado, envolvendo comunidades locais, assentamentos da reforma agrária e equipes numerosas, com dezenas de trabalhadores por projeto.
