A sessão plenária da última quarta-feira (17) trouxe um novo embate entre os deputados Agenor Neto (MDB) e Marcos Sobreira (PSB) na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Dessa vez, os parlamentares divergiram sobre a proposta de instalação do serviço de oncologia em Iguatu para atender a região Centro-sul.
Agenor Neto apresentou emendas ao projeto do Poder Executivo, que tratou de operações de crédito por parte do Governo do Estado, sugerindo investimentos para sua região, como a construção de uma parada intermodal da Transnordestina, a reforma de uma rodovia e a instalação do serviço de oncologia por dois anos. As propostas foram rejeitadas na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) por 5 votos a 4.
“Perdemos com voto de iguatuense votando contra a região”, destacou Agenor na tribuna da Alece, sem citar o nome do seu adversário. Nas redes sociais, o parlamentar completou: “lamento que essas emendas não tenham sido aprovadas, inclusive com voto contrário de um deputado da própria região, por motivos que não dialogam com o interesse coletivo”.
Em entrevista ao Opinião CE, Marcos Sobreira rebateu as acusações e disse que seu opositor “não consegue engolir a derrota em Iguatu”, se referindo às eleições de 2024, que deu a vitória a Roberto Filho (PSDB) sobre Ilo Neto (PT), filho de Agenor. “Eu vou votar contra um serviço de oncologia na minha terra? Isso é inimaginável!”, completou.
Sobreira chamou Agenor de “dep fake” e explicou que o voto contrário se deu, pois o serviço de oncologia seria instalado no Hospital e Maternidade Dr. Agenor Araújo, que é privado e administrado pela família do seu adversário político. “O que defendemos é que o serviço de oncologia seja feito no único hospital público do Centro-sul, que é o Hospital Regional do Iguatu. Por que vamos levar para um hospital que é administrado pelo filho dele?”, disse.
Ainda na tribuna, Agenor retrucou o argumento dizendo que a gestão do recurso solicitado na emenda, de aproximadamente R$ 6 milhões, seria feita pelo Hospital São Vicente de Barbalha, que já realiza tratamento oncológico no Cariri e regiões vizinhas. “Se ele queria no Hospital Regional de Iguatu, por que não apresentou uma emenda?” questionou.
“O que ele quer é fazer cortesia com o chapéu alheio, levando para o seu patrimônio recursos do Estado. Isso nós não vamos permitir. Se for investir, que seja investido num hospital público”, defendeu Marcos Sobreira.
Questionado se a rivalidade com Agenor Neto, que é vice-líder do governador Elmano de Freitas na Alece, pode prejudicar a relação com o Poder Executivo, Marcos Sobreira rechaçou. “Tenho que ser grato ao governador Elmano. Elmano deu ordem de serviço no Hospital Regional. Nós vamos começar o Sinalize com 30 mil metros de asfalto no Iguatu e tantas outras parcerias. Minha posição quanto ao governo é definida: estou com Elmano, estarei com Elmano. E agradeço o que tem feito por minha região”.
Por outro lado, lamentou que o emedebista siga como vice-líder do governo. “Aí é uma escolha pessoal dele, não cabe a mim interferir, embora hoje cause mais constrangimento ao governo que solução”, completou.
“É uma vice-liderança conturbada, que bate cabeça com a liderança pela forma como age, pela forma agressiva, destemperada. Eu lamento. Eu continuo defendendo o governo Elmano, acredito no governo, mas a vice-liderança dele na Casa, infelizmente, é um desastre”, finalizou Marcos Sobreira.
