A defesa da tarifa zero no transporte coletivo ganhou força na Câmara de Fortaleza (CMFor). Em pronunciamento nesta quarta-feira, o vereador Aglaylson (PT), vice-líder do governo, afirmou que o modelo é viável e necessário para garantir o direito de ir e vir da população.
A proposta, segundo o parlamentar, deve colocar Fortaleza na liderança nacional. A ideia apresentada é transformar a capital cearense na primeira do país a adotar a tarifa zero de forma universal.
A discussão ocorreu após entrevista do prefeito Evandro Leitão, na qual o gestor afirmou que a Prefeitura está aberta ao debate sobre a viabilidade do projeto. Para Aglaylson, o tema precisa ser tratado como política pública estruturante.
JUSTIÇA SOCIAL
A mobilidade urbana foi apontada como eixo central da proposta. Para o vereador, circular pela Cidade, acessar trabalho, lazer, saúde e cultura faz parte de um direito básico da população.
O conceito de tarifa zero, conforme destacou, ultrapassa a questão do transporte. A medida foi apresentada como instrumento de combate às desigualdades e de promoção da justiça social.
A fala do parlamentar reforçou que a mobilidade impacta diretamente a vida cotidiana. A ampliação do acesso ao transporte foi defendida como forma de inclusão social e fortalecimento da Cidade.
EXPERIÊNCIAS LOCAIS
Dados e exemplos da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) foram citados para sustentar a proposta. Municípios como Caucaia, Maracanaú, Eusébio e Aquiraz já adotam modelos de tarifa zero ou gratuidade ampliada.
O caso de Caucaia foi destacado como referência. Após a implantação da tarifa gratuita, o número de usuários do transporte coletivo saltou de 505 mil para 2,2 milhões por mês.
Impactos positivos também foram observados na economia local. O aumento da circulação de pessoas refletiu diretamente no comércio e na dinâmica urbana do município.
CENÁRIO FAVORÁVEL
O contexto atual de Fortaleza foi apresentado como propício para avançar. Hoje, 91% da população já não pagam diretamente a tarifa, seja por gratuidade legal, vale-transporte ou isenções específicas.
A universalização do benefício atingiria apenas 9% dos moradores. Para o vereador, essa ampliação depende essencialmente de decisão política.
A fala destacou que o sistema já conta com forte participação do poder público. O passo seguinte seria garantir o direito de forma plena a toda a população.
CUSTO E FINANCIAMENTO
A estimativa de custo mensal para a tarifa zero gira em torno de R$ 70 milhões. Atualmente, o município investe entre R$ 16 milhões e R$ 17 milhões em subsídios ao transporte coletivo.
A proposta inclui a soma de recursos federais e a reorganização do vale-transporte das empresas. A criação do Fundo Municipal de Transporte também foi apontada como alternativa.
O aumento gradual do investimento orçamentário, de 1,5% para cerca de 2,5%, foi citado como caminho possível. Com esse arranjo, o modelo foi classificado como plenamente viável.
REFERÊNCIAS NACIONAIS
Comparações com outras capitais reforçaram o argumento. São Paulo, por exemplo, destina mais de 5% do orçamento municipal à mobilidade urbana.
A proposta, segundo o vereador, beneficia trabalhadores e empresários. O fim do desconto de 6% no salário com vale-transporte e a contribuição equilibrada das empresas foram citados como ganhos coletivos.
A discussão também foi situada em um contexto mais amplo. Encontros com o prefeito Evandro Leitão (PT), participação de especialistas e diálogo com o Governo Federal fizeram parte do processo.
POSIÇÃO POLÍTICA
O debate foi apresentado como alinhado a uma pauta nacional. A iniciativa foi associada a discussões encampadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP).
A intenção declarada é colocar Fortaleza na vanguarda do tema. O Município foi apontado como capaz de liderar uma mudança estrutural no transporte urbano brasileiro.
Ao final, o vereador reforçou o compromisso político. A defesa foi clara: fazer de Fortaleza a primeira capital do país a implementar a tarifa zero como política permanente.
