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Startup cearense desenvolve biomaterial de regeneração óssea até 100 vezes mais barato

O Ceará volta a ganhar destaque no cenário nacional de inovação biomédica. A BioHealing, spin-off da Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do projeto BioMembone, foi vencedora do Prêmio FINEP de Inovação 2025 na Região Nordeste e finalista na etapa nacional. A iniciativa é liderada pela pesquisadora e CEO Fabia Karine Andrade, que também recebeu, em novembro, a Medalha Niède Guidon, concedida ao melhor projeto comandado por mulheres.

Hoje, a startup está incubada na Universidade Estadual do Ceará e poderá ter soluções em saúde usadas no Hospital do Universitário do Ceará.

A tecnologia propõe o desenvolvimento de um biomaterial nacional, bioativo e reabsorvível, voltado à regeneração óssea guiada em Odontologia, tratamento utilizado em fraturas de complexidade e na reconstrução para implantes. O produto promete ser até 100 vezes mais barato que os importados, podendo custar cerca de R$ 7, enquanto kits tradicionais chegam a valores entre R$ 2 mil e R$ 5 mil.

Se alcançar a etapa de validação clínica em curso, o BioMembone pode transformar o setor de saúde pública brasileiro: amplia o acesso aos pacientes mais pobres, reduz custos hospitalares e diminui a dependência de fornecedores internacionais.

“O BioMembone veio de uma necessidade do mercado brasileiro: produtos acessíveis para as pessoas mais carentes, que dependem do Sistema Único de Saúde. Hoje, os materiais utilizados nessa técnica são extremamente caros e altamente dependentes de importação”, afirma Fabia em entrevista ao Opinião Tech.

A nova temporada do Opinião Tech tem o apoio institucional da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Ao longo de 8 episódios, o videocast aborda temas como mercado de trabalho e IA; cases de sucesso no Estado; e financiamento para inovação no Nordeste.

Foto: Gustavo Calvano/Opinião CE

Inclusão tecnológica e protagonismo feminino

Além da proposta de impacto social, o projeto traz um debate fundamental: o papel das mulheres no desenvolvimento de tecnologias de saúde. Fabia reflete que a diversidade de olhares não é uma pauta simbólica, mas estratégica, especialmente em áreas onde a falta de representatividade influencia soluções ofertadas ao mercado.

“Somos 50% da população. Privar a ciência desse protagonismo feminino é privar-se de muitas visões e soluções que poderiam ser trazidas por mulheres, às vezes demandas que sequer são percebidas porque não partem de uma necessidade masculina”, destaca.

Da universidade ao mercado: quando pesquisa vira impacto

A BioHealing surgiu como spin-off da UFC, a partir de uma tese de doutorado voltada ao tratamento de feridas crônicas. Para Fabia, o ecossistema universitário é o principal polo de inovação disruptiva no país — e o incentivo à criação de startups a partir de pesquisas é um caminho sem volta.

“As universidades são as maiores árvores da inovação. É delas que nascem as grandes transformações, principalmente as disruptivas. A BioHealing é fruto desse movimento e o BioMembone segue o mesmo princípio”, explica.

Com insumos 100% nacionais, processamento local e tecnologia própria, o BioMembone se alinha também ao objetivo de autonomia tecnológica, reduzindo vulnerabilidades da saúde pública às oscilações cambiais e barreiras de importação.

Transformar cuidado em política pública

Se aprovado na última fase de validação clínica, o produto poderá ser ofertado ao SUS com custo drasticamente inferior aos atuais, permitindo que clínicas e hospitais incorporem tratamentos antes restritos a uma minoria.

O BioMembone não apresenta impacto apenas econômico: encurta o tempo de cicatrização e pode evitar complicações, amputações e reinternações, problemas comuns em pacientes com doenças crônicas. O projeto cearense integra uma tendência global, que usa tecnologias médicas de baixo custo e alto resultado, voltadas à escala de atendimento universal.