No povoado de Moita Redonda, em Cascavel, ocorreu a inauguração do mais novo Museu Orgânico pelo Sistema Fecomércio Ceará, por meio do Serviço Social do Comércio (Sesc), no sábado (6). O espaço é reconhecido como principal polo de produção de cerâmica e abriga o Grupo Uirapuru – Orquestra de Barro, que recebe a homenagem em formato de museu orgânico ao representar um território cultural onde o ciclo do barro gerou saberes e práticas vinculadas à ancestralidade, unindo tradição cerâmica e arte musical.
O Museu da Orquestra de Barro Uirapuru reúne instrumentos de corda, sopro e percussão, todos produzidos em barro, e evidencia a comunidade de ceramistas que transforma a matéria-prima abundante da região em música com sonoridades únicas. O espaço também funciona como vitrine para visitantes conhecerem a história da Orquestra de Barro e adquirirem peças de artistas locais, contribuindo para a economia da cultura.
Segundo o presidente do Sistema Fecomércio Ceará, deputado federal Luiz Gastão (PSD), a iniciativa reforça o compromisso com a preservação e valorização da cultura cearense. Ele destacou que o Grupo Uirapuru desenvolve ações há 20 anos na comunidade, oferecendo oportunidades de aprendizado e construção de novos caminhos para moradores.
RAÍZES VIVAS
O criador do Grupo Uirapuru – Orquestra de Barro, Tércio Araripe, afirma que o trabalho realizado desde 2006 com arte e crianças incentiva o reconhecimento do valor da tradição e da cultura familiar, reforçando a possibilidade de evoluir sem romper as raízes. Segundo ele, manter viva uma herança cultural fortalece o sentimento de pertencimento e preserva a ancestralidade.
Para Tércio Araripe, a combinação entre música e cerâmica revela múltiplas potencialidades numa experiência em constante evolução, que ganha novas formas e reconhecimento, como o título de Museu Orgânico do Sesc e o apoio do Sistema Fecomércio Ceará. Ele classifica a conquista como motivo de grande gratidão.
A trajetória de Tércio Araripe começou na infância, quando desenvolveu interesse especial pela música indiana, que lhe transmitia familiaridade diferente das demais sonoridades. Em visita ao Museu da Cabaça, em Juazeiro do Norte, teve contato com um livro que reunia instrumentos primitivos de culturas milenares, ampliando seu interesse pelo tema.
TRADIÇÃO E FUTURO
Em parceria com a comunidade da Moita Redonda, Tércio Araripe criou instrumentos de corda, sopro e percussão feitos de barro e estimulou jovens a integrar uma orquestra. A proposta busca aproximar novas gerações da cerâmica, tradição da qual se afastavam ao longo do tempo, mostrando que ferramentas ancestrais podem gerar novas expressões sem romper vínculos culturais.
Segundo Tércio Araripe, o trabalho musical com barro antecede a era cristã. Nos experimentos, ele desenvolve instrumentos sonoros e objetos estéticos que também funcionam como peças musicais, ampliando as possibilidades de criação artística.
Os Museus Orgânicos têm como base o vínculo com a história e com os locais onde vivem mestres da cultura popular. O projeto nasceu da parceria com a Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, fortalecendo uma rede de lugares de memória, com o Serviço Social do Comércio (Sesc) atuando como ativador dos espaços. Para receber o título, cada iniciativa passa por pesquisas e estudos aprofundados sobre tradições culturais, referências coletivas e impacto comunitário.
