O pesquisador Luciano Andrade Moreira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi reconhecido como uma das dez pessoas ao redor do mundo que moldaram a ciência em 2025, pela revista Nature, considerada uma das mais influentes do planeta na área. Seu nome configura na “Nature’s 10”, publicação anual que celebra as personalidades científicas.
Engenheiro agrônomo e entomologista, Moreira estuda há mais de uma década o uso da bactéria natural Wolbachia em mosquito Aedes aegypti para reduzir — e futuramente zerar — a transmissão de vírus como os da dengue, zika e chikungunya.
Em seu laboratório, em Curitiba (PR), mais de 80 milhões de ovos de mosquito com a bactéria são produzidos a cada semana. Com ela, o vírus não consegue se proliferar no inseto, fazendo com que ele seja quase inofensivo para humanos.
O método promete reduzir drasticamente a transmissão e os gastos com os tratamentos dessas doenças. Desde 2014, ele já é testado e foi aprovado pelo Governo Federal como uma medida eficaz para o combate à dengue.
Hoje, os mosquitos criados pelo pesquisador estão em 16 cidades diferentes, e pesquisas recentes mostraram que alguns desses municípios conseguiram ter uma redução de até 89% dos casos de dengue.
“Os cientistas ainda não compreendem o mecanismo, mas a bactéria pode estar competindo com o vírus por recursos ou estimulando a produção de proteínas antivirais”, revela um trecho da Nature.
