O ex-deputado cearense Amadeu Arrais morreu neste domingo (7), quatro dias após completar 101 anos. Ele era o último parlamentar do Ceará cassado pela Ditadura Militar ainda vivo. O velório acontece no Plenário 13 de Maio, na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), desde as 11 horas. Às 17 horas, será celebrada uma missa, com encerramento previsto para as 18 horas.
Arrais nasceu em Campos Sales, município localizado a 460 quilômetros de Fortaleza. Antes de ingressar na política, atuou como professor de francês no Liceu do Ceará e trabalhou na Delegacia Regional do Trabalho. Também ocupou a Secretaria do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem/CE).
Filiado ao Partido Democrata Cristão (PDC), exerceu dois mandatos na Alece. Com o início do regime autoritário no Brasil, teve o mandato cassado em 10 de abril de 1964, sob acusação de quebra de decoro parlamentar. A cassação o tornou preso político, levando-o à detenção no 23º Batalhão de Caçadores (23º BC), em Fortaleza, onde permaneceu por cerca de nove meses, ao lado de outros seis parlamentares cearenses perseguidos pela ditadura.
Em dezembro do ano passado, foi homenageado com a Medalha de Mérito Parlamentar Plenário 13 de Maio, 60 anos após a cassação imposta pelo regime militar. A condecoração retomou o reconhecimento à sua atuação na Assembleia, marcada pela defesa da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pelo impulso à criação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais no Estado.
