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CNI afirma que desaceleração da indústria no 3º trimestre acende alerta para os próximos meses

Foto: Divulgação/Agência Brasil

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que a desaceleração da indústria brasileira no terceiro trimestre acende um “alerta para os próximos meses”. Conforme a CNI, os dados do PIB divulgados na última quinta-feira (4) mostram perda de ritmo da indústria.

Embora o PIB industrial tenha subido 0,8% entre julho e setembro, o crescimento acumulado do setor em um ano recuou de 3%, no 1º trimestre, para 1,8%, no 3º trimestre.

Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, ainda deve acontecer uma perda de ritmo adicional, já que, como explicou ele, “existe uma defasagem entre a elevação das taxas de juros e a materialização dos efeitos sobre a economia”.

“No caso da indústria, o quadro é ainda mais preocupante. Então, somado aos juros, a demanda interna mais fraca e a ascensão expressiva das importações complicam muito o cenário para os próximos meses”, avaliou.

O crescimento de 0,1% da economia brasileira no 3º trimestre veio dentro das expectativas. A Confederação afirma que a situação “reflete diretamente” a política monetária adotada pelo Banco Central para controlar a inflação.

Taxa Selic

Na avaliação da CNI, a taxa Selic elevada é a principal causa para a perda de força do crescimento econômico. “No 3º trimestre, as concessões de crédito, por exemplo, desaceleraram em quase todos os segmentos”, apontou a entidade.

O mercado de trabalho, por sua vez, ficou estável depois de um longo período de crescimento acima das expectativas, o que reflete impactos da política fiscal e dos juros altos. O consumo cresceu apenas 0,1% no 3º trimestre, menos do que as duas altas trimestrais anteriores, de 0,6% cada.

A demanda doméstica por produtos industriais subiu apenas 0,1% no 3º trimestre. Além disso, parte da demanda se desviou para a compra de bens de consumo importados, que cresceu 17% entre janeiro e outubro de 2025, em relação ao mesmo período do ano passado.

Conforme a CNI, esses fatores limitaram o crescimento da indústria, especialmente a de transformação, que cresceu 0,3%, mas também do varejo, explicando por que o PIB do setor de serviços subiu apenas 0,1% entre julho e setembro deste ano.

Indústria extrativa, construção e agro

O desempenho de alguns setores produtivos impediu que a desaceleração da economia fosse ainda maior. Impulsionada pelo forte desempenho da safra, a agropecuária subiu 0,4% no 3º trimestre. Já a indústria extrativa registrou alta de 1,7%, a quarta consecutiva, graças ao crescimento da exploração de petróleo e gás.

Outro dado positivo vem da indústria da construção, cujo PIB subiu 1,3%, interrompendo duas quedas trimestrais consecutivas.