A Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Grupo de Inovação e Pesquisa em Energias e Recursos Minerais (Gipem), deu um passo estratégico no avanço de tecnologias voltadas ao setor energético.
A instituição assinou um termo de cooperação com a Petrobras e com a empresa francesa Eliis, referência mundial em software de interpretação sísmica, para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial aplicadas à exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira. O projeto terá duração de quatro anos.
A parceria tem como foco o software PaleoScan™, tecnologia utilizada globalmente em modelagens geológicas e análises sísmicas para exploração de petróleo, gás e outros recursos minerais.
A meta é desenvolver soluções de IA capazes de aprimorar a automação do sistema, ampliando eficiência na identificação e caracterização de reservatórios turbidíticos, formações sedimentares localizadas em águas profundas, essenciais para a indústria petrolífera brasileira desde as décadas de 1970 e 1980.
Exploração de petróleo
A Margem Equatorial é considerada uma área estratégica para a abertura de novas reservas e compreende mais de 2.200 km da costa do País, indo do Amapá ao Rio Grande do Norte. Ela é considerada a nova fronteira de exploração. O Ceará integra a rota da faixa costeira onde há estudos e perspectivas de produção.
A possibilidade de exploração do espaço foi amplamente criticada por setores ambientalistas, que veem riscos ao meio ambiente e às comunidades no entorno. Em outubro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a exploração. A concessão à Petrobras para perfurar um poço exploratório em águas profundas do Amapá encerrou uma disputa que se arrastava há quase cinco anos entre a estatal e o Ibama.
Projeções da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam um potencial de até 30 bilhões de barris de óleo equivalente. Para a Petrobras, isso se trata de uma nova fronteira estratégica para repor reservas e sustentar a produção nas próximas décadas.
Reconhecimento da UFC
Representando a UFC, a professora Karen Leopoldino destacou que o acordo consolida o reconhecimento internacional do trabalho conduzido pelo grupo de pesquisa. “Essa iniciativa reforça a estratégia nacional de P&D do Brasil, promovendo pesquisas geofísicas de ponta e fortalecendo parcerias entre a academia e líderes globais da indústria”, afirmou.

O algoritmo em desenvolvimento permitirá que o PaleoScan™ identifique, de forma automática, reservatórios utilizando dados sísmicos em 3D, tecnologia vista como determinante para acelerar diagnósticos, reduzir custos operacionais e ampliar a segurança dos processos de exploração.
A equipe da UFC envolvida no projeto inclui professores, pós-doutorandos e estudantes de graduação, mestrado e doutorado ligados ao Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto (LGPSR).
A assinatura simbólica do termo ocorreu em novembro, durante a Conferência 2025 da Sociedade Brasileira de Geofísica, e marca um novo capítulo da universidade na agenda de inovação para o mercado energético. O avanço, segundo os pesquisadores, pode consolidar o Nordeste no mapa das soluções tecnológicas aplicadas ao petróleo, conectando ciência, indústria e desenvolvimento econômico.
