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“Cartão Vermelho à Violência”: torcedores realizam minuto de silêncio às vítimas de feminicídio

Objetivo da ação é reforçar a mobilização dos “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência e do Racismo contra as Mulheres”. Foto: Marcos Moura/ ALECE

Procuradoria Especial da Mulher (PEM), realizou nessa quarta-feira (03) a ação “Cartão Vermelho pelo Fim da Violência contra a Mulher” na Arena Castelão, durante partida entre Fortaleza e Corinthians.

Em homenagem às vítimas de feminicídio os atletas, ainda em campo, erguem cartões vermelhos em direção às câmeras e à torcida como sinal coletivo de repúdio.

O objetivo da ação é reforçar a mobilização dos “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência e do Racismo contra as Mulheres”, promovida pelo Ministério das Mulheres, em articulação com secretarias estaduais e órgãos de políticas para as mulheres em todo o País.

Na ocasião, foram realizadas intervenções simbólicas e educativas de enfrentamento à violência de gênero com os torcedores.

Durante o jogo, os telões exibiram a mensagem “Violência contra a mulher não é jogo. Peça ajuda!”, acompanhada do número do Zap Delas (85 98140-7547), canal de acolhimento da Procuradoria Especial da Mulher da Alece, com exibição acessível em legendas.

Luana Régia exaltou a ação. “É de extrema importância estar levando essa mensagem de paz e de solidariedade para famílias e mulheres. O Ceará vai pegar essa luta para si e nós vamos vencer esse combate à violência contra a mulher”, disse.

A ação “Cartão Vermelho pelo Fim da Violência contra a Mulher” irá acontecer no estádio cearense em mais uma partida do Campeonato Brasileiro, que irá ocorrer dia 7 de dezembro, às 16 horas, no jogo Ceará e Palmeiras.

MAIS DO QUE NÚMEROS

Nos últimos dias, o assassinato de uma mulher e quatro crianças e duas tentativas de feminicídio provocaram indignação no país. Em 2025, já foram mais de mil registros.

Tainara Souza Santos era uma trabalhadora autônoma de 31 anos. Mãe de duas crianças, um menino de 12 anos e uma menina de 8. Enquanto se dedicava ao trabalho remunerado e aos filhos, ela mantinha um relacionamento casual com Douglas Alves da Silva com 26 anos. Em uma crise de ciúmes, esse homem atropelou.

Isabele Gomes de Macedo era uma mulher de 40 anos com quatro filhos: Aline, de 7 anos; Adriel, de 4; Aguinaldo, de 3; e Ariel, de 1. Ela morava na Zona Oeste de Recife, na comunidade de Icauã e tinha uma irmã chamada Jaqueline Gomes. Foi vítima de um incêndio em sua casa causado por Aguinaldo.

No Ceará, Rafaela de Lima Almeida, de 29 anos, foi esfaqueada pelo ex-companheiro na saída do condomínio em que morava, em Juazeiro do Norte. A jovem chegou a ficar internada, mas morreu quatro dias depois do ataque.

A cearense Camile Alves da Silva de 22 anos, foi morta a tiros em Sobral por Paulo Jander, de 37 anos porque ele não aceitou o fim do relacionamento.

Em uma operação realizada pelas Forças de Segurança no Ceará, a Polícia Militar do Ceará (PMCE) realizou a prisão em flagrante de um suspeito de feminicídio no sábado (29). O suspeito, de 43 anos, atingiu a própria companheira com um objeto perfurocortante em uma loja de maquiagens situada na sede do município.

Essas mulheres que levavam uma vida comum, apenas decidiram ter um relacionamento com um homem e por causa disso, serão lembradas por sua morte.

Vinte e quatro mulheres foram vítimas de feminicídio no Ceará apenas no primeiro semestre de 2025, conforme os dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia (Supesp), disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) em agosto.