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Michelle e André Fernandes divergem em evento no Ceará: entenda o cenário a partir de agora

O lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Ceará expôs, neste fim de semana, uma divergência pública entre duas das figuras mais influentes da direita cearense: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal André Fernandes (PL).

A troca de recados, feita em palco e diante de aliados, antecipa o clima de disputa interna que deve marcar a formação das chapas para 2026 no Estado. O momento também revela a dificuldade do partido em definir suas lideranças – nacionais e estaduais – após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante o evento, Michelle criticou a possibilidade de setores da oposição apoiarem o ex-ministro Ciro Gomes. Ao microfone, questionou: “Fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita no país?” Em seguida, convocou a militância a se unir em torno de Girão: “Nós vamos nos levantar e trabalhar para eleger Girão.”

A ex-primeira-dama ainda constrangeu André Fernandes ao chamá-lo publicamente para posar ao lado do senador.

“Todos que estão aqui estão fechados com Girão… André, fica aqui do lado do Girão”, afirmou, arrancando aplausos da plateia. A cena evidenciou o desconforto entre os dois.

A tensão já vinha se acumulando. Na semana anterior, Michelle havia resgatado um vídeo antigo em que Ciro Gomes chamava bolsonaristas de “imbecis fanáticos”, crítica dirigida ao deputado Eduardo Bolsonaro, em meio a disputas diplomáticas com Donald Trump.

André reage e revela aval de Bolsonaro à aliança com Ciro

Em resposta direta às cobranças de Michelle, André Fernandes, presidente estadual do PL, afirmou que a aproximação com Ciro Gomes não só é estratégica, como já teria sido autorizada por Jair Bolsonaro meses atrás.

Segundo André, em 29 de maio todos os parlamentares cearenses do PL se reuniram com o ex-presidente para sacramentar o apoio ao ex-ministro. Bolsonaro e Ciro teriam conversado por telefone, e o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, também chancelou o acordo.

André relata que, diante do desgaste que uma aliança pública poderia gerar para Bolsonaro, ficou decidido que ele, André, conduziria o processo. “Coloca o André que qualquer pancada o André aguenta”, disse, acrescentando que Carlos Bolsonaro também concordou.

Para o deputado, a aliança com Ciro é crucial para fortalecer a direita no Estado, elegendo pelo menos um senador, ampliando a bancada federal e enfrentando o PT na disputa pelo Palácio da Abolição. “Quem está aqui sabe o problema que o cearense enfrenta. O próprio presidente Bolsonaro concorda com isso”, rebateu.

Disputa interna segue aberta

A divergência não é caso isolado. Michelle Bolsonaro já confrontou outras decisões do PL Ceará, especialmente sobre a chapa ao Senado. Ela defende o nome da vereadora Priscila Costa, enquanto parte da sigla trabalha pela candidatura de Alcides Fernandes, deputado estadual e pai de André, que já recebeu apoio explícito de Bolsonaro.

O episódio deste fim de semana deixa claro que, a menos de um ano da eleição, a direita cearense vive uma disputa interna por protagonismo, narrativa e controle das alianças. E o embate entre Michelle e André deve pesar nas articulações que vão moldar a estratégia da oposição em 2026.