Golpes na Black Friday também podem prejudicar empresas. O segmento do varejo enfrenta riscos elevados de ataques de cibercriminosos. Alberto Jorge, CEO da Trust Control e especialista em Cibersegurança, orienta consumidores e empreendedores a protegerem seus dados.
Esta sexta-feira (28) é aguardada por muitos empresários e clientes. A Black Friday impulsiona o fluxo financeiro, especialmente nas compras online, com previsão de faturamento de até R$ 13,6 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom).
O número representa crescimento entre 14,7% e 16,5% em relação a 2024. Porém, é também um período explorado por criminosos digitais, que utilizam links falsos, promoções inexistentes e ofertas imperdíveis para enganar usuários.
Basta um clique para que dados pessoais, bancários e senhas sejam sequestrados. Poucos percebem que empresas também podem ser afetadas, acumulando prejuízos financeiros, danos de imagem e impactos na reputação.
CIBERATAQUES
Segundo relatório de uma companhia internacional de segurança cibernética, pequenas e médias empresas do varejo mostram-se mais vulneráveis. Entre novembro de 2023 e outubro de 2024, ocorreram 837 incidentes no varejo brasileiro, com 419 resultando em vazamentos de dados.
“Os ataques mais comuns incluem phishing, ransomware, invasões, roubo de informações e exploração de brechas em redes e dispositivos. Pequenas e médias empresas sofrem mais, muitas vezes devido a falhas de segurança e falta de preparo dos colaboradores. O varejo enfrenta desafios ligados à cadeia logística, dados de clientes e transações, que afetam diretamente reputação e finanças”, alerta Alberto Jorge, CEO da Trust Control.
Empresas e consumidores podem reforçar a proteção na Black Friday com medidas simples. “É essencial contar com equipe especializada para gerenciar a segurança e reduzir riscos internos, com treinamento e controle rigoroso de acesso. Caso não seja possível criar um setor próprio, é viável contratar empresas especializadas com ferramentas de monitoramento online“, orienta Alberto Jorge.
PREVENÇÃO DIGITAL
O executivo alerta que tos precisam estar sempre atentos. “O varejista deve lembrar que precisa proteger dados sensíveis de clientes e aplicações, inclusive em ambientes na nuvem, evitando vazamentos e fraudes. Investir em tecnologia e manter atualizações frequentes reduz ameaças”, reforça.
O especialista também recomenda que portais de e-commerce adotem senhas mais robustas, combinando letras, números, caracteres especiais e variação de maiúsculas e minúsculas, com mínimo de 20 caracteres. “Sempre que possível, ativar o duplo fator de autenticação, que diminui o risco de golpes”, acrescenta Alberto Jorge.
Existem ferramentas de checagem de links e promoções direcionadas a empresas, capazes de proteger a reputação contra uso indevido de marcas. “Há tecnologias que identificam lojas fraudulentas, que usam a marca ou domínio parecido para enganar consumidores, além de detectar e-mails de phishing e automatizar a remoção desse conteúdo”, explica Alberto Jorge.
REPUTAÇÃO
“Se houver loja fraudulenta, conseguimos detectá-la e solicitar a retirada do conteúdo”, afirma o CEO da Trust Control. Essa fraude compromete negócios porque gera percepção negativa no consumidor. “Quando muitas pessoas acionam a Justiça, a empresa precisa se defender, enfrentando custos processuais e honorários. Por isso, recomendamos que o varejo realize monitoramento constante, com equipe interna ou terceirizada”, orienta o especialista.
Em caso de golpe virtual, o procedimento inicial é registrar boletim de ocorrência, permitindo que a Polícia especializada investigue o caso e identifique as causas. “A principal orientação para empresas do varejo, que têm grande aumento de vendas na Black Friday, é adotar tecnologias e serviços de monitoramento da internet, para detectar uso indevido da marca e evitar perdas financeiras“, completa Alberto Jorge.
