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Arlene Holanda: das histórias de infância à reinvenção por meio da Literatura de Cordel

Apesar do termo “cordel” ser de herança portuguesa e ter se iniciado na Europa durante o século XII, o cordelista no Brasil se tornou uma característica cultural do Nordeste após adaptações na escrita.

A produção cearense se mantém viva por meio de poetas que se dedicam à escrita desse estilo literário. A cordelista Arlene Holanda produz seus poemas influenciados por uma tradição passada de geração para geração.

Para celebrar essa importante demonstração cultural cearense, o Opinião CE traz a série de matérias especiais Cordel Nordestino: a tradição que superou gerações”, mostrando a prevalência da escrita e do consumo de cordel no Ceará. Na primeira reportagem, o Opinião CE conta a história de Seu Evaristo, um cearense que viaja o Brasil e mantém viva a Literatura de Cordel.

Arlene Holanda escreve cordel desde 2002, quando organizou a coleção de sua autoria COR DE CORDEL, das versões do Pavão Misterioso e de Juvenal e o Dragão. No entanto, o cordel está presente na sua vida desde a infância. Seus avós liam e colecionavam folhetos, e sua mãe costumava contar as histórias em prosa para ela.

PRIMEIRAS LEITURAS E ESCRITAS

Arlene já escrevia em poesia, mas despertou para o gênero do cordel ao reler os folhetos clássicos quando adulta, como o livro O Fantástico Mundo do Cordel. A escritora é graduada em História, especialista em Artes Visuais e Metodologias do Ensino de História e tem curso de aperfeiçoamento em História da África. 

A cordelista escreve desde 1985, em variados gêneros e estilos literários. Ela tem 60 livros publicados, entre literatura (adulto, infantil e juvenil), didáticos e obras complementares.

A poeta possui 15 títulos de sua autoria como escritora e ilustradora. Foto: Arquivo pessoal

Além disso, 15 títulos de sua autoria (como escritora e ilustradora) foram selecionados para compra em editais do MEC (PNBE e PNLD), e dezenas de obras adquiridas em editais de secretarias de educação de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Brasília, entre outras.

A MULHER CORDELISTA

Para Arlene, o fato de ser mulher não a difere dos outros artistas. Ela nunca se enxergou dessa forma, procura ser reconhecida pela qualidade do seu texto e não pela condição feminina.

“Talvez, o único diferencial seja um olhar feminino sobre as temporalidades e ideias de uma história a ser contada”, destaca a escritora.

A artista também escreve em prosa e poesia, além de ser produtora cultural de projetos nas áreas da memória, história, oralidades, patrimônio e educação. Sua carreira iniciou como ilustradora e hoje também é designer.

Arlene pretende mostras aos jovens o valor da ancestralidade e da tradição. Foto: Arquivo Pessoal

Esqueletos de três romances já foram produzidos por Arlene, mas ela não sabe se algum dia se dedicará a essa escrita. “A vida tem pressa de ser vivida e existem prioridades para mim, como ter a chance de mostrar a jovens e crianças um mundo mais diverso, onde se possa enxergar o valor da ancestralidade e da tradição”, evidencia a cordelista.

DESAFIOS NO MUNDO DA ESCRITA

A cordelista Arlene nomeou apenas como “exigências” os desafios para a escrita do cordel.

“Eu chamaria de exigências. São a métrica, a rima e também a capacidade criativa de narrar, seja de forma original, ou de recontar uma história da tradição, ou mesmo a história de um folheto, acrescentando muitos pontos: visões de mundo, mentalidades, sentimentos”.

Arlene pontua que, nas últimas duas décadas, houve bastante incentivo e apoio governamental à escrita de cordel. Editais culturais, prêmios e compra de livros são exemplos.