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Black Friday: advogado alerta para golpes, marketing da escassez e riscos de superendividamento

O advogado Sávio Aguiar, da Associação Cearense de Defesa do Consumidor, fez um alerta aos consumidores sobre práticas abusivas e propagandas enganosas durante a Black Friday. A entrevista foi concedida ao programa Entre Assuntos, do Opinião CE. Sávio reforça que, ao identificar promoções falsas ou preços maquiados, o consumidor deve registrar provas – com fotos em lojas físicas ou prints de telas de sites – e denunciar aos órgãos de fiscalização.

“Com o registro do print, eu consigo demonstrar que houve uma burla, uma violação à lei”, explica. As reclamações podem ser feitas no aplicativo do DECON ou no site do PROCON.

O advogado alerta para expressões comuns em campanhas de Black Friday, como “única oportunidade”, “oferta imperdível” e “últimos minutos da oferta”, que estimulam decisões por impulso. Segundo ele, o consumidor é atraído pela sensação de vantagem imediata, mesmo sem necessidade real de compra.

Esse comportamento, aponta Sávio, está diretamente ligado ao superendividamento, especialmente no período que antecede festas de fim de ano e gastos típicos de janeiro, como despesas escolares e tributos. Ele destaca que o comércio aproveita a liberação da primeira parcela do 13º salário para intensificar as ofertas, aumentando o risco de aquisições impulsivas. “O consumidor se sente empoderado naquele momento, porque está com o dinheiro disponível”, afirma.

Golpes virtuais e sites falsos

Com o aumento dos crimes cibernéticos, Sávio também alertou para sites falsos e links suspeitos que simulam páginas de lojas oficiais para capturar dados pessoais. Ele recomenda evitar links desconhecidos, checar a autenticidade dos sites e desconfiar de preços muito abaixo do mercado. “Se o consumidor se deparar com uma geladeira de R$ 500, está errado. Tem que desconfiar”, orienta.

Outro ponto destacado foi o chamado marketing da escassez, estratégia que cria sensação de urgência e perda iminente para estimular compras. Segundo Sávio, há relatos de lojas que utilizam até atores para simular movimentos de procura, gerando efeito manada.

“É tudo uma grande encenação”, afirma ele, ao reforçar que o consumidor deve manter atenção redobrada na semana da Black Friday e evitar decisões impulsivas. Ao final, Sávio Aguiar recomenda foco na compra consciente, priorizando necessidade, cuidado e atenção aos direitos do consumidor.