A plataforma de conteúdo adulto OnlyFans vai passar a realizar checagem de antecedentes criminais de pessoas que se cadastrarem como criadoras de conteúdo. A mudança foi anunciada pela CEO Keily Blair e será inicialmente aplicada nos Estados Unidos, em parceria com a empresa de verificação Checkr Trust – responsável por análises usadas também por empresas como Uber, Lyft e Postmates.
Segundo Blair, o objetivo é reforçar a segurança da comunidade e impedir que pessoas com condenações criminais utilizem a plataforma como influenciadores.
“São colaborações como essa que fazem a verdadeira diferença nos bastidores e mantêm o OnlyFans um espaço onde criadores e fãs se sentem seguros e empoderados”, disse a executiva em publicação no LinkedIn.
Criadores criticam a medida e temem impacto financeiro
Apesar do argumento de segurança, muitos criadores de conteúdo reagiram negativamente. Conforme destacou o site 404 Media, a preocupação é que a nova política afete diretamente quem depende do OnlyFans como principal fonte de renda.
A exigência pode, por exemplo, barrar pessoas que já cumpriram pena ou que enfrentam distorções comuns em relatórios desse tipo.
Histórico de falhas preocupa especialistas
A Checkr, parceira responsável pela verificação, enfrenta centenas de processos judiciais nos Estados Unidos por fornecer informações incorretas. Entre os erros relatados estão multas antigas e nomes equivocados incluídos nos relatórios – falhas que podem gerar restrições indevidas.
Casos recentes também levantam dúvidas sobre a segurança das bases de dados usadas nesse tipo de trabalho. Em 2023, a National Public Data sofreu um megavazamento que expôs bilhões de registros posteriormente vendidos em fóruns de cibercrime.
Tendência do setor adulto digital
A decisão do OnlyFans segue um movimento maior no mercado de conteúdo adulto. Em outubro, a Pornhub anunciou que implementará verificação de antecedentes para novos criadores a partir de 2026, também com foco em aumentar a proteção de usuários e colaboradores.
A mudança indica que a indústria caminha para processos mais rígidos e próximos de modelos adotados por grandes plataformas de trabalho digital, ao mesmo tempo em que reacende debates sobre privacidade, desigualdade e possíveis efeitos colaterais de sistemas automatizados de checagem.
