O Ceará vive um momento decisivo na consolidação do seu ecossistema de startups. É o que afirma Michael Dhyani, Head de Inovação do Ninna Hub, um dos principais ambientes de empreendedorismo tecnológico do Estado. Em entrevista ao Opinião Tech, com o jornalista Rodrigo Rodrigues, Dhyani destacou como hubs, empresas, talentos e investidores estão se conectando para transformar ideias em negócios escaláveis.
Ele aponta que o Ceará já desponta entre os polos mais promissores do País.
A nova temporada do Opinião Tech tem o apoio institucional da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Ao longo de 8 episódios, o videocast aborda temas como mercado de trabalho e IA; cases de sucesso no Estado; e financiamento para inovação no Nordeste.
Conforme Michael Dhyani, a inovação deixou de ser diferencial e tornou-se condição de sobrevivência. “O preço de não inovar é muito alto”, afirma. Para explicar, Dhyani lembra casos emblemáticos da história recente. “A Kodak, por exemplo, tinha 98% de market share em um de seus segmentos. A Blockbuster, líder mundial, poderia ter comprado a Netflix por um valor irrisório. Eram gigantes, mas perderam por não enxergar o movimento do mercado.”
Popularização da IA acelerou transformação nas empresas
Para Dhyani, a chegada das IAs generativas ao público comum, impulsionada por ferramentas como o ChatGPT, mudou definitivamente o ritmo da inovação. “O que era IA antes de colocar isso na mão do usuário comum? Depois dessa popularização absurda, houve um aumento gigantesco na procura”, destaca.
Segundo ele, empresas de todos os tamanhos passaram a buscar soluções de automação, análise de dados, atendimento inteligente e ferramentas que aumentam produtividade. A mudança, porém, não é apenas tecnológica e exige visão estratégica e cultura aberta ao novo.
Ceará se consolida como polo de inovação no Brasil
O head do Ninna Hub reforça que o Ceará vive um ciclo virtuoso. O Estado consegue atrair startups, fomentar talentos e criar ambientes de experimentação que aproximam empresas tradicionais do universo digital.
O ecossistema local cresce em áreas como energia e sustentabilidade, impulsionado por investimentos públicos e privados; saúde e biotecnologia; educação digital; logística e mobilidade, setores estratégicos para a economia cearense; e tecnologias aplicadas ao varejo e ao turismo, com forte presença no Estado.
“Temos hubs criando conexões reais, startups resolvendo problemas locais e empresas grandes abertas a testar soluções. Isso gera um ciclo de inovação que coloca o Ceará na linha de frente da transformação digital”, pontua.
Desafios ainda existem
Mesmo com a evolução, Dhyani destaca que a jornada de quem empreende não é simples. Startups em fase inicial ainda enfrentam dificuldades como acesso a capital, validação de mercado e formação de equipes. Por isso, segundo ele, hubs de inovação cumprem papel estratégico: funcionam como pontes entre criadores, corporações, governo e investidores.
Segundo ele, empresas que não acompanham o ritmo da inovação correm o risco de repetir os erros de gigantes do passado. “O mercado não espera. As tecnologias avançam, os consumidores mudam. E quem não se adapta… perde.”
