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Juíza homologa prisão de Bolsonaro após audiência de custódia neste domingo (23)

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A juíza auxiliar Luciana Yuki Fugishita Sorrentino homologou, na tarde deste domingo (23), o cumprimento do mandado de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após audiência de custódia realizada em Brasília. Conforme a magistrada, não houve qualquer abuso ou irregularidade por parte dos policiais no momento da detenção.

Durante a audiência, Bolsonaro admitiu ter mexido na tornozeleira eletrônica, justificando que agiu sob “certa paranoia” entre sexta e sábado, provocada, segundo ele, pela interação de diferentes medicamentos prescritos por médicos distintos. O ex-presidente negou intenção de fuga e afirmou que não chegou a romper a cinta do equipamento.

Questionado sobre a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas proximidades de sua residência, Bolsonaro declarou que o local “fica a setecentos metros da sua casa”, afastando a hipótese de tumulto que pudesse facilitar eventual fuga.

O Supremo Tribunal Federal informou que o prazo para a defesa se manifestar sobre a violação da tornozeleira termina às 16h30 deste domingo.

STF analisará prisão preventiva nesta segunda

O ministro Flávio Dino, do STF, convocou uma sessão virtual extraordinária da Primeira Turma para esta segunda-feira (24). O colegiado irá decidir se referenda ou não a determinação de prisão preventiva expedida no sábado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro foi preso após Moraes apontar risco de fuga, com base na tentativa de violação da tornozeleira e na mobilização da vigília organizada por seu filho. A prisão ocorreu enquanto o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.

Segundo a investigação, Bolsonaro utilizou uma ferramenta de solda para tentar abrir o dispositivo, ação registrada pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape), responsável pelo monitoramento. A defesa apresentou pedido de prisão domiciliar humanitária, negado pelo ministro Moraes.

Condenação e próximos passos

O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo que apura a trama golpista. A Primeira Turma rejeitou, na semana passada, os embargos de declaração apresentados por Bolsonaro e outros seis réus. Os últimos recursos devem ser entregues até este domingo.

Caso sejam novamente rejeitados, as penas poderão começar a ser executadas nas próximas semanas, consolidando um dos momentos mais críticos da trajetória jurídico-política de Bolsonaro desde que deixou a Presidência.