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G20: Lula alerta para “nova corrida colonial” por minerais críticos e defende soberania em IA

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) voltou a defender, neste domingo (23), que países detentores de minerais críticos, essenciais para a transição energética e a indústria tecnológica, tenham soberania sobre a exploração, o conhecimento e o valor agregado desses recursos. O discurso ocorreu durante a última sessão temática da Cúpula de Líderes do G20, em Joanesburgo, na África do Sul, e ecoa debates recentes da COP30, encerrada neste fim de semana em Belém (PA).

Lula afirmou que a forma como o mundo articula minerais críticos, inteligência artificial e trabalho decente vai definir o futuro das próximas gerações.

“Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores”, disse. “O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam.”

O presidente ressaltou que discutir minerais críticos “é discutir soberania” e que o avanço tecnológico não pode significar a manutenção de dependências históricas. Ele defendeu que os países produtores tenham autonomia para transformar seus recursos naturais em desenvolvimento econômico e inclusão social.

G20 prepara documento favorável à industrialização local

A Cúpula do G20 deve publicar um documento específico sobre minerais críticos, recomendando que os países produtores beneficiem e industrializem seus próprios recursos, reduzindo a dependência de cadeias globais concentradas. Elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras são estruturais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.

Lula afirmou que a transição energética abre espaço para ampliar fronteiras tecnológicas e redefinir o papel dos países ricos em recursos naturais. O Brasil, lembrou, possui cerca de 10% das reservas mundiais desses minerais.

O presidente também citou a criação do Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, responsável por planejar políticas de exploração. Segundo ele, o País quer evitar o papel histórico de exportador de commodities e pretende ser “parceiro na cadeia global de valor”.

IA: risco de novo colonialismo digital

Ao tratar de inteligência artificial, Lula alertou que a concentração de algoritmos, infraestrutura e dados nas mãos de poucos países e empresas pode criar uma nova forma de colonialismo digital.

Quando poucos controlam os algoritmos, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital”, destacou, defendendo que a ONU seja o centro de uma governança global e representativa sobre IA.

Ele lembrou que 2,6 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à internet, enquanto países ricos alcançam 93% de conectividade, nas nações de baixa renda esse número cai para 27%.

Trabalho decente como eixo de transformação

Lula afirmou que o avanço tecnológico precisa vir acompanhado de proteção social. Hoje, 40% dos trabalhadores do mundo estão em funções altamente expostas à automação. “Cada painel solar, cada chip, cada linha de código deve carregar a marca da inclusão social”, disse. “A tecnologia deve fortalecer, e não fragilizar, os direitos humanos e trabalhistas.”

Agenda e diplomacia

A África do Sul preside o G20 em 2025 sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, com quatro prioridades Resiliência a desastres; Sustentabilidade da dívida de países pobres; Financiamento da transição energética justa; e Minerais críticos como motores de desenvolvimento.

À margem do encontro, Lula se reuniu com líderes do Fórum Índia-Brasil-África do Sul (IBAS) e manteve encontros bilaterais com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz. A viagem à África continua nesta segunda-feira (24), quando Lula visita Moçambique antes de retornar ao Brasil.