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Quem é Dom Arnaldo, o primeiro bispo referencial para grupos católicos LGBT+ no Brasil

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu um passo inédito ao nomear Dom Arnaldo Carvalheiro Neto como o primeiro bispo referencial para o acompanhamento pastoral de grupos católicos LGBT+ no País.

A escolha, anunciada nesta semana, marca um movimento dentro da Igreja brasileira para ampliar espaços de escuta, acolhimento e diálogo com comunidades que, historicamente, enfrentam barreiras tanto sociais quanto religiosas. Aos 57 anos, Dom Arnaldo reúne sólida formação acadêmica, trajetória internacional e experiência pastoral diversa.

Natural de São Paulo, ele nasceu em 11 de abril de 1967 e é filho de Arnaldo Carvalheiro Júnior e Rosa Maria M. Carvalheiro. Foi ordenado presbítero em 17 de maio de 1997, integrando o clero da Diocese de Araçatuba, em São Paulo. Atuou como pároco nas Paróquias São Brás, em Birigui (SP), e São Pedro Apóstolo, em Gabriel Monteiro, além de ter sido vigário em Chicago, nos Estados Unidos.

Também trabalhou na formação de novos sacerdotes como diretor espiritual do Instituto Teológico Rainha dos Apóstolos, em Marília, entre 2007 e 2014.

Formação acadêmica

Dom Arnaldo é graduado em Filosofia e Teologia, com especializações em Direção Espiritual (Chicago) e Capelania Hospitalar (Dublin), além de possuir mestrado em Pastoral Counseling pela Loyola University de Chicago. Lecionou Ensino Religioso, História da Filosofia Antiga e Aconselhamento Pastoral, conciliando atuação acadêmica com funções eclesiais, como assento no Conselho de Presbíteros e no Colégio de Consultores da Diocese de Araçatuba.

A nomeação como bispo ocorreu em 4 de maio de 2016, por decisão do Papa Francisco. Seu lema episcopal, “Servi ao Senhor com Alegria”, sinaliza o tom pastoral que marca sua trajetória. Ele foi ordenado bispo no mês seguinte e assumiu inicialmente como coadjutor da Diocese de Itapeva (SP), onde se tornou o 6º bispo diocesano ainda em 2016. Atualmente, também atua como bispo referencial da Cáritas no Regional Sul 1 da CNBB.

Agora, com a nova função voltada ao acompanhamento dos grupos católicos LGBT+, Dom Arnaldo passa a representar uma ponte institucional dentro da Igreja, função que, segundo a CNBB, busca fortalecer práticas pastorais de acolhimento já desenvolvidas em diversas dioceses.

A missão, inédita no Brasil, reflete orientações recentes da Igreja, que tem reforçado a importância da proximidade, cuidado e inclusão de todos os fiéis, especialmente daqueles que se sentem marginalizados.

A expectativa é de que sua experiência em aconselhamento, sua formação internacional e seu perfil pastoral ajudem a estruturar diretrizes, orientar grupos e apoiar iniciativas já existentes pelo Brasil. A criação da função é vista como um marco simbólico e prático na forma como a Igreja Católica brasileira se relaciona com a diversidade dentro de suas próprias comunidades.