O mês de novembro, anualmente, é marcado pelo “Novembro Azul”, movimento mundial que tem como objetivo conscientizar sobre a saúde masculina, com prioridade na prevenção e no diagnóstico do câncer de próstata.
Ao Opinião CE, o urologista Pedro Filgueira falou sobre os desafios que os homens enfrentam na prevenção do tipo de câncer e em outras questões relacionadas à saúde que ainda são tratadas como tabu.
De acordo com o profissional, o principal mito é em relação ao câncer em si, já que a maioria das pessoas que são acometidas com o tumor maligno acredita que vão falecer em decorrência dele. No caso do câncer de próstata, no entanto, a probabilidade de cura é acima de 90%.
“O câncer de próstata, embora seja o mais comum, não é o que mais mata. O que mais mata é o câncer de pulmão”, explicou.
Como prosseguiu Filgueira, existe uma grande variabilidade nos tipos da doença. Por esse motivo, os riscos apenas têm como ser classificados quando o paciente for diagnosticado. Daí a importância, então, de fazer os exames de prevenção, que devem ser feitos de forma anual a partir dos 50 anos para os homens que não possuem fatores de risco a mais.
No caso daqueles que possuem parentes de primeiro grau que foram acometidos pela doença, são da raça negra ou possuem doenças que aumentam o risco do câncer, o ideal é iniciar os exames entre os 40 e os 45 anos.
Os exames são o PSA, ou Antígeno Prostático Específico, e o exame do toque. O PSA equivale a um exame de sangue utilizado para monitorar doenças da próstata. Já no exame de toque retal, o urologista insere um dedo lubrificado no ânus para palpar a próstata, com o objetivo de avaliar se há alguma irregularidade. Os dois exames são complementares.
“Câncer de próstata, no início, não dá sintoma. O que queremos é diagnosticar no início da doença para que a gente tenha uma chance de cura bem mais alta”, destacou o profissional.
Cirurgia robótica
Sendo diagnosticado com o tipo de câncer, existem algumas etapas do tratamento, que incluem desde exames periódicos até procedimentos considerados mais invasivos, como as cirurgias.
Pedro Filgueira é especialista em Cirurgia Robótica Urológica, que é, segundo ele, o que há de mais tecnológico na atualidade para o tratamento da doença.
Em Fortaleza, como explicou ele, cinco hospitais já possuem plataformas robóticas para realizar o procedimento. “Métodos mais modernos oferecem menos complicações para os pacientes, com uma cura igual aos padrões de cirurgias abertas, que antes eram feitos”, afirmou.
Segundo o médico, a cirurgia robótica oferece menos risco de disfunção erétil ou de incontinência urinária.
Prevenção primária
Além da prevenção secundária – PSA e exame do toque –, os homens podem manter costumes que ajudam a prevenir, de forma primária, o desenvolvimento do tipo de câncer.
O principal fator é a idade. Neste caso, pouco pode ser feito. Mas outros elementos que podem favorecer a doença são, por exemplo, a alimentação, a falta de exercício físico e fumar cigarro.
“[Os homens] têm que mudar algumas coisas do seu estilo de vida. Como ter alimentação saudável, comer mais frutas e verduras, fazer exercícios físicos e manter o peso dentro do ideal. Tudo isso previne o câncer de próstata”, finalizou.
