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“Não há antagonismo entre proteção ambiental e agronegócio”, diz Barroso na COP30

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Roberto Barroso, afirmou, durante entrevista na COP30 ao ser questionado pelo Opinião CE, que a agenda climática precisa superar o que ele classifica como falsos conflitos, especialmente a ideia de que a proteção ambiental seria inimiga do agronegócio. Para ele, a relação é exatamente o oposto e o setor produtivo depende diretamente da preservação dos ecossistemas brasileiros.

Barroso frisou que não existe contradição entre produção agrícola e preservação ambiental.

“Não há antagonismo entre proteção ambiental e agronegócio. Não há nenhum ramo de atividade que dependa mais da proteção ambiental do que o agronegócio”, afirmou.

Ele citou os “rios voadores”, correntes de umidade que partem da Amazônia e garantem chuvas no Centro-Oeste, como exemplo de interdependência vital para a produção de alimentos. “O agronegócio legítimo, que hoje é muito importante para a economia brasileira, é dependente da proteção ambiental. Portanto, tem que haver sinergia e não antagonismo”, concluiu.

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Importância dos biomas brasileiros

O Brasil reconhece oficialmente seis biomas (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa) e todos enfrentam, segundo Barroso, de formas distintas os efeitos da crise climática.

“Tudo que se fala em termos de mudança climática vale para todos os biomas”, disse. Ele lembrou que a Amazônia sofre com o desmatamento, enquanto o Pantanal enfrenta ciclos severos de queimadas, mas reforçou que o enfrentamento deve ser sistêmico. O ministro destacou que a transição para energias limpas e a redução gradual do uso de combustíveis fósseis são caminhos inevitáveis.

“O Brasil está avançado nas fontes renováveis, como energia solar, eólica e biomassa”, afirmou, ressaltando que políticas climáticas não podem ser pensadas de forma isolada para cada bioma, mas integradas como um conjunto.