A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou durante entrevista ao Opinião CE na COP30, em Belém (PA), que o Brasil precisa avançar para uma política integrada de proteção e restauração de todos os biomas do País. Ela destacou que biomas como a Caatinga, o Cerrado, o Pantanal e o Pampa enfrentam pressões crescentes e demandam ações específicas e urgentes de conservação.
Segundo Marina, o Governo Federal já concluiu o plano de controle do desmatamento da Caatinga, construído em parceria com governos estaduais e secretarias de meio ambiente.
A iniciativa segue a mesma lógica dos planos que originalmente existiam apenas para a Amazônia, agora ampliados para todos os biomas brasileiros.
“Temos que valorizar todos os biomas brasileiros. A Caatinga, o Pantanal, a Amazônia, a Mata Atlântica, o Pampa, o Cerrado. Alguns deles estão sofrendo uma pressão muito grande em termos de degradação e de uso insustentável dos recursos”, disse.
Fundo Biomas: proposta busca evitar pulverização de recursos
Marina revelou que o Governo Federal estuda criar um Fundo Biomas, inspirado no Fundo Amazônia, mas com uma lógica integradora. A proposta, discutida com governadores do Nordeste e membros do Consórcio Nordeste, prevê um mecanismo unificado de financiamento para preservação, restauração, pesquisa e uso sustentável dos biomas.
A ministra explicou que, embora exista a ideia de um “Fundo Caatinga”, um fundo separado para cada bioma poderia resultar em investimentos dispersos e pouco efetivos. “Para não ter um fundo para cada bioma, senão a gente vai ficar com uma ‘muquequinha’ de dinheiro em cada um, estamos estudando a possibilidade de um Fundo Biomas”, afirmou.
O modelo permitiria centralizar e distribuir recursos de forma estratégica, priorizando conservação e desenvolvimento sustentável, especialmente em áreas mais pressionadas pela degradação ambiental.
Pampa e Mata Atlântica também entram no radar
Além da Caatinga, Marina destacou situações críticas em outros ecossistemas. No Pampa, por exemplo, a ministra aponta uma visão equivocada sobre os campos naturais, muitas vezes tratados como áreas de menor importância ambiental. “Eles são um espaço de biodiversidade única, com espécies singulares que precisam ser preservadas ou restauradas”, alertou.
Já na Mata Atlântica, o cenário é de limite extremo: não é mais possível qualquer nova pressão sobre remanescentes de floresta nativa.
Visão integrada
Ao defender o Fundo Biomas e os novos planos de prevenção e controle do desmatamento, Marina reforça a ideia de que políticas ambientais precisam avançar para uma abordagem nacional e simultaneamente regionalizada. “É trabalhar mecanismos de financiamento para restauração, preservação, pesquisa científica e uso sustentável. E isso deve valer para todos os biomas brasileiros”, concluiu.

