Menu

COP30: novo rascunho de relatório suprime meta sobre fim dos combustíveis fósseis

O secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) divulgou, nesta sexta-feira (21), uma nova versão do rascunho do texto final da COP30, e a mudança acendeu alertas entre negociadores e observadores do processo climático.

O documento, que ainda será ajustado antes da divulgação oficial, incluiu um anexo com 59 indicadores para a Meta Global de Adaptação (GGA), mas retirou todas as menções ao fim do uso de combustíveis fósseis, ponto que vinha sendo considerado central para o avanço das ambições climáticas.

O tema vinha sendo tratado pelo governo brasileiro como o “mapa dos combustíveis fósseis”, proposta que buscava estabelecer diretrizes e caminhos concretos para a eliminação progressiva de petróleo, carvão e gás no mundo. A iniciativa, no entanto, esbarrou em forte resistência de países produtores dessas matrizes energéticas, que atuaram intensamente nos últimos dias para barrar o dispositivo.

A retirada do termo amplia a incerteza sobre o tom final da Conferência, que vive sua fase mais tensa de negociações.

Delegações alinhadas à defesa de maior ambição climática veem o recuo como um sinal de enfraquecimento do pacto internacional para limitar o aquecimento global a 1,5°C. Já países que dependem economicamente da produção de combustíveis fósseis argumentam que metas rígidas poderiam afetar seus modelos de desenvolvimento e comprometer a “transição justa”.

Meta Global de Adaptação

Apesar do retrocesso na pauta de mitigação, o novo rascunho avança na construção da Meta Global de Adaptação, com a previsão de 59 indicadores para monitorar ações em áreas como gestão de risco climático, resiliência hídrica, agricultura, infraestrutura e proteção de ecossistemas.

O texto, porém, ainda não contém dados consolidados sobre o financiamento necessário para que os países em desenvolvimento implementem essas ações, outro ponto sensível para o desfecho da COP30.

A Conferência entra agora em sua reta final, com expectativa de negociações intensas para tentar recompor algum consenso sobre o papel dos combustíveis fósseis no acordo global. Enquanto isso, delegações seguem pressionando por um texto equilibrado, que avance tanto na adaptação quanto na descarbonização da economia global.