O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), destacou que enfrentar a crise climática passa, inevitavelmente, pela educação. Em entrevista exclusiva ao Opinião CE, durante a COP30, em Belém (PA), o titular afirmou que a formação ambiental precisa sair do papel e chegar de forma estruturada ao cotidiano das escolas, inclusive com a criação de agentes ambientais territoriais, responsáveis por coordenar ações de educação ambiental em diferentes regiões do País.
Segundo o ministro, os eventos climáticos extremos já não são mais projeções futuras. “A devastação no Rio Grande do Sul, as enchentes no Paraná, a seca na Amazônia e no Pantanal, além dos impactos constantes no Nordeste, mostram que essa agenda é presente. A única forma de conscientizar e orientar é pela educação. Ela é transformadora”, afirmou.
Camilo explicou que o MEC está construindo uma nova política nacional específica para educação ambiental escolar, mais robusta e integrada que o atual Plano Nacional de Educação Ambiental. A proposta inclui eixos organizados de governança, metas pedagógicas, avaliação e articulação entre União, estados e municípios – estes últimos, responsáveis pela execução na ponta.
O ministro ressaltou que a formação de professores é um dos maiores gargalos. Apenas 1,7% dos docentes da educação básica possuem formação de pelo menos 80 horas em educação ambiental.
“Precisamos qualificar melhor os professores e estruturar a pedagogia ambiental dentro das escolas. Apesar de 67% das unidades realizarem alguma ação, ainda falta organização, metas claras e acompanhamento”, afirmou.
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Agentes ambientais nas escolas
Um dos pilares debatidos na COP30 é a criação de agentes territoriais ambientais, modelo semelhante ao já utilizado em políticas de alfabetização, educação étnico-racial e educação do campo.
Esses atores atuariam em cada território do Brasil, respeitando suas particularidades – da Amazônia ao Semiárido – e apoiariam a implantação de projetos, formação docente e monitoramento das ações ambientais nas redes escolares.
“Cada região tem sua realidade climática e social. Precisamos de coordenação local forte para que a política aconteça de verdade”, disse Camilo. Segundo ele, o MEC já prevê investimentos para 2026 com foco no fortalecimento dessa rede.
Educação como eixo central da ação climática
O ministro reforçou que o tema ganhou espaço na COP30 com o Dia da Educação, que reuniu delegações do mundo inteiro para debater o impacto da educação na transformação climática. “A educação é o grande caminho para formar, conscientizar e criar uma sociedade preparada para enfrentar a crise ambiental que já está em curso.”
Com a proposta de estruturar a educação ambiental de forma permanente e territorializada, o MEC busca transformar o tema em política de Estado, e não apenas em ações isoladas dentro das escolas.

