O Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio da 97ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, denunciou seis homens por tráfico de animais silvestres, associação criminosa e posse irregular de arma de fogo. A acusação atinge Alex de Sousa Santos, Antônio Leão Neto, Silmauro Trajano da Silva, Carlos César Gonzaga da Silva Júnior, Marcos dos Santos Gonzaga e João Edjackson Silveira, este último ainda em liberdade.
Segundo o órgão, cinco suspeitos foram detidos na 12ª fase da Operação Fauna Livre, deflagrada pelo MPCE e pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) em 29 de outubro. A ação resultou no resgate de 90 aves capturadas e mantidas em cativeiro por um dos investigados.
A apuração começou após o nome de Alex Santos surgir em conversas de outros traficantes de fauna. A partir disso, foram identificados os demais envolvidos, que, conforme o MPCE, atuavam na compra e venda de espécies silvestres, prática tipificada pela Lei de Crimes Ambientais (9.605/1998).
MERCADO ILEGAL
As negociações, de acordo com a denúncia, eram feitas em grupos de WhatsApp, com pagamento por transferência bancária. Os suspeitos mantinham os animais em cativeiro e faziam o transporte até os compradores. Entre as espécies comercializadas, estavam jaguatiricas, macacos, tucanos, araras, papagaios e diversos pássaros, como a jandaia, ave-símbolo do Ceará e ameaçada de extinção.
A 97ª Promotoria de Justiça aponta ainda indícios de que a rede criminosa tinha ramificações em outros estados. As informações reforçam a necessidade de cooperação entre órgãos ambientais e forças de segurança para coibir o tráfico de fauna.
A denúncia destaca que o grupo operava de forma organizada, com divisão de tarefas entre captura, guarda, transporte e venda dos animais, o que eleva a gravidade das condutas atribuídas aos investigados.
AÇÃO NACIONAL
A Operação Fauna Livre cumpriu mandados de busca e prisão em Fortaleza, Maracanaú, Camocim e Bela Cruz, resultando também na apreensão de armas de fogo, carabinas de pressão e munições. Agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) acompanharam as diligências e lavraram autos de infração.
A ofensiva integrou a Operação Libertas, mobilização nacional que reuniu Ministérios Públicos, Polícias Civil e Militar e órgãos de fiscalização de 11 estados. A força-tarefa revelou ainda outros delitos associados, como receptação, falsificação de documentos e sinais públicos, maus-tratos, organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo.
As instituições envolvidas avaliam novos desdobramentos da ação, que poderá ampliar o alcance das investigações e responsabilizações nos diferentes estados afetados.
