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PF desmonta esquema que usava drones para levar celulares e drogas a presídios do Ceará

A utilização de drones para burlar controles de segurança chegou novamente ao centro do debate tecnológico e de segurança pública no Brasil.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) no Ceará deflagrou, nesta quarta-feira (19), a Operação Escudo Aéreo, que desarticulou um esquema criminoso especializado no uso de aeronaves não tripuladas para inserir celulares, drogas e outros materiais ilícitos dentro de unidades prisionais do Estado.

A ação cumpriu quatro mandados de prisão e sete de busca e apreensão, expedidos pela Vara de Delitos de Organização Criminosa. Mais de 50 agentes participaram da operação, incluindo equipes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal, com apoio da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

Drones a serviço do crime: como funcionava o esquema

A investigação revela um fenômeno crescente no Brasil e no mundo: o uso de drones como ferramenta de apoio logístico para organizações criminosas. No caso cearense, o grupo utilizava os equipamentos para sobrevoar as unidades prisionais e derrubar pacotes contendo celulares, chips, drogas e outros itens que facilitavam a comunicação entre líderes de facções e integrantes fora do sistema.

Segundo os investigadores, o objetivo era manter a articulação externa das facções, permitindo a determinação de crimes a partir das unidades prisionais.

Foto: Reprodução/Polícia Federal

Desafio tecnológico: presídios precisam de novas defesas

O caso reacende discussões sobre a necessidade de modernização dos sistemas de segurança no entorno das penitenciárias. Tecnologias como bloqueadores de sinal, radares antidrones, cercas virtuais, softwares de detecção de voo irregular e integração com inteligência artificial vêm sendo testadas em outros países, mas ainda avançam lentamente no Brasil.

O uso criminoso de drones cresce devido ao baixo custo dos equipamentos, facilidade de manuseio e dificuldade de detecção, especialmente em áreas amplas e com pouca vigilância aérea.

Integração entre forças e combate ao crime organizado

A FICCO, criada justamente para enfrentar práticas de alto nível de organização e tecnologia, destacou que o trabalho conjunto foi essencial para identificar os responsáveis. A operação desmonta um elo importante da estrutura criminosa e abre caminho para novas ações de monitoramento tecnológico.

Com o avanço das investigações, as autoridades devem mapear fornecedores, operadores e bases de lançamento dos drones, buscando entender se há conexões com grupos de outros estados ou até fornecedores internacionais.