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“O mundo precisa entender: a Caatinga é uma solução climática global”, diz secretário do Consórcio Nordeste

A fala foi feita em entrevista ao Opinião CE, durante a COP30, em Belém. Foto: Levy Dantas/Opinião CE

A participação do Nordeste na COP30 tem sido marcada pela defesa enfática do único bioma exclusivamente brasileiro: a Caatinga. Em entrevista ao Opinião CE, o secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, destacou o papel estratégico do bioma diante da emergência climática global, e como ele pode alavancar o desenvolvimento econômico da região a partir da transição ecológica.

Segundo Gabas, a COP oferece o palco ideal para apresentar ao mundo o que ele chama de “tesouro climático do Brasil”. “A Caatinga não tem em nenhum outro lugar do mundo. E é uma floresta seca com capacidade de absorver CO₂ muito maior do que a Amazônia”, afirmou.

Potência escondida no semiárido

O secretário explicou que a resistência da Caatinga às condições extremas está diretamente ligada à sua capacidade de estocar carbono nas raízes, característica que pode fazer do bioma uma peça-chave no cumprimento das metas climáticas.

“Quando cai um pouquinho de água, ela floresce. Por quê? Porque tem carbono armazenado. Isso tem tudo a ver com o desafio de reduzir emissões e enfrentar a mudança do clima.”

Gabas reforçou que a relevância da Caatinga não está apenas na biodiversidade, mas na sua contribuição direta para a transição ecológica, articulada hoje como uma das prioridades dos estados nordestinos.

Energia limpa e desenvolvimento industrial

O Nordeste é apontado como líder nacional na geração de energia solar, eólica e, agora, no desenvolvimento do hidrogênio verde. Para Gabas, a região precisa transformar essa vantagem energética em oportunidades econômicas.

“Temos o desafio de usar essa energia limpa para industrializar o Nordeste, reduzir desigualdades e gerar emprego. É isso que estamos construindo com o plano de transição ecológica do Nordeste”, explicou.

O plano foi lançado na COP30 em alinhamento com a Nova Indústria Brasil, política do Governo Federal voltada à modernização competitiva e sustentável do setor produtivo.

Investimentos bilionários para a transição

Durante a COP, o Consórcio Nordeste e o Governo Federal anunciaram R$ 100 milhões do BNDES e do BNB destinados a financiar projetos de transição ecológica na região. Segundo Gabas, esse é apenas o começo.

Ele lembrou que o edital Nordeste da Nova Indústria Brasil, lançado em junho deste ano, atraiu projeções de investimento nunca antes vistas. “O edital começou com R$ 10 bilhões e já chegou a R$ 130 bilhões em potencial de investimento no Nordeste.”

Para o secretário, a soma entre o potencial da Caatinga, a matriz energética limpa e o novo ciclo de investimentos coloca o Nordeste como ator central da política climática brasileira, e não mais como região vista apenas pelas vulnerabilidades.

“Estamos provando que investir no Nordeste é vantajoso para o clima, para a economia e para a qualidade de vida do nosso povo”, afirmou.

Gabas encerrou defendendo que a Caatinga esteja definitivamente no centro da estratégia climática nacional. “A Caatinga é fundamental para enfrentar a crise climática. É hora do Brasil e do mundo reconhecerem isso.”