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CNBB nomeia primeiro bispo referencial para grupos católicos LGBT+ do Brasil

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu um passo inédito na história da Igreja Católica brasileira ao nomear Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, bispo de Jundiaí (SP), como bispo referencial para o acompanhamento pastoral de grupos católicos LGBT+.

Aos 57 anos, Dom Arnaldo reúne sólida formação acadêmica, trajetória internacional e experiência pastoral diversa.

A indicação, oficializada no último dia 17 de outubro, vale para o período de 2025 a 2028 e coloca o Brasil ao lado de países como Alemanha e Bélgica, únicos onde as conferências episcopais possuem bispos dedicados formalmente a essa missão.

A decisão foi recebida com entusiasmo pela Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT+, que celebrou o gesto como um marco histórico em uma caminhada construída ao longo de mais de uma década por cristãos leigos e leigas que buscam dignidade, acolhimento e reconhecimento dentro da Igreja.

Em nota publicada nas redes sociais, a Rede afirmou que a nomeação expressa “o Evangelho da dignidade, da misericórdia e da acolhida” e que o anúncio é fruto de um processo de diálogo contínuo, especialmente com o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), e do fortalecimento da perspectiva sinodal (se refere a um estilo de vida e método de organização da Igreja que enfatiza a participação, o diálogo e a corresponsabilidade de todos os fiéis em sua missão).

Segundo a Rede, a escolha de Dom Arnaldo reflete o entendimento de que a sinodalidade se realiza quando o povo de Deus caminha junto, discernindo novos caminhos de cuidado pastoral e presença evangelizadora.

A nomeação também é vista como um gesto simbólico e prático, sinalizando a abertura da Igreja ao diálogo e ao cuidado pastoral com pessoas historicamente marginalizadas. Ao mesmo tempo, a novidade inaugura um espaço institucional de escuta e acompanhamento que, até então, não existia na estrutura da CNBB.

O movimento afirma que seguirá comprometido com sua missão de ser “presença de esperança, comunhão e serviço”, acreditando que a decisão representa um avanço concreto para uma Igreja “cada vez mais aberta, fiel ao Evangelho e atenta aos sinais dos tempos”.