Professor universitário e pesquisador em Inteligência Artificial, Wellington Souza afirmou que é preciso haver uma regulamentação para o uso da IA nas universidades. O especialista afirma que, como toda tecnologia, ela deve vir para somar, mas desde que seja implementada com responsabilidade.
O docente demonstrou preocupação, por exemplo, com o uso indevido da IA, que pode gerar problemas éticos. Ele ressaltou que as LLMs — sigla em inglês de Large Language Model, ou “Grande Modelo de Linguagem” em português —, tipo de IA generativa que gera textos, utilizam conhecimentos de outros autores, já carregados no banco de dados.
Segundo Souza, alunos em cursos de graduação e até mesmo profissionais de empresas têm utilizado as LLMs. “Fico preocupado com a formação ética dos profissionais”, disse. Apesar de a questão ser debatida na academia, os profissionais têm utilizado as IAs “sem freio”, inclusive “copiando e colando” comandos.
Além disso, as “alucinações” — a geração de informações incorretas — também são comuns no uso da IA, o que pode ocasionar erros para quem utiliza os textos de ferramentas como o ChatGPT sem checagem. Ele exemplificou:
“Em 2023, em uma região dos EUA que era costumeiramente machista, sexista e racista, os textos carregados para a forma base de conhecimento tinham essa conotação, que é uma conotação da população da região”, lembrou.
Em alguns tipos de respostas, nesse caso, uma pessoa lia o texto para fazer uma homologação antes de publicar. Conforme o pesquisador, é isso que tem que acontecer, por exemplo, na pesquisa científica.
A entrevista para o podcast Opinião Tech pode ser assistida na íntegra no canal do Opinião CE no YouTube.
Avanço da tecnologia e impacto no mercado
De acordo com Wellington Souza, o impacto das IAs no mercado de trabalho vai acontecer. “As coisas vão evoluindo e, a cada vez, algum emprego é impactado, uns para melhor e outros para pior.”
“O que eu vejo hoje é que a automação, cada vez mais presente, vai automatizar tarefas rotineiras com certa inteligência”, acrescentou.
Tal fator, segundo ele, vai obrigar os jovens a se preparar para “coisas mais inteligentes”, ou seja, que utilizem o sentimento e a análise humana que os algoritmos não possuem.
