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“Nunca fale mal do Nordeste na minha frente”, diz Anielle Franco durante a COP30

Em entrevista exclusiva ao Opinião CE durante a COP30, em Belém (PA), a ministra da Igualdade Racial fez questão de destacar seu vínculo profundo com o Nordeste e o papel estratégico da região na agenda ambiental e social do País. Em tom firme, ela afirmou ter orgulho de suas origens e da força cultural nordestina.

“Minha mãe e meu pai são nordestinos. Eu cresci com a força das mulheres nordestinas. Tenho muito orgulho de poder defender”, afirmou. A ministra relembrou críticas históricas e preconceitos dirigidos à região, ressaltando que sua trajetória e a de milhões de nordestinos desmentem qualquer estereótipo.

“Quando muita gente fala que o Nordeste não sabe fazer as coisas, a gente prova que é o contrário. A força do Nordeste impulsiona milhões de pessoas que saíram de lá ainda pequenas, em busca de novos sonhos, mas sem esquecer suas raízes. Isso é o mais importante”, declarou.

A ministra também destacou que o Nordeste tem protagonismo na pauta ambiental, com áreas de conservação fundamentais para a proteção dos biomas e para o equilíbrio climático do Brasil. Para ela, esse papel precisa ser reconhecido e respeitado.

“Estar aqui pensando que o Nordeste tem vários lugares de conservação ambiental, que protegem e ajudam nosso meio ambiente, é motivo de orgulho. Eu nunca deixo ninguém falar mal do Nordeste na minha frente, porque eu fico brava”, disse, em tom descontraído, mas assertivo.

Justiça climática e justiça racial

Ainda durante a conversa, a ministra reforçou que o enfrentamento à crise climática no Brasil precisa, necessariamente, considerar as desigualdades raciais.

“Toda vez que a gente pensa em justiça climática, em justiça ambiental, a gente precisa pensar também em justiça racial. É a justiça para aquelas pessoas que mais sofrem, que mais precisam do nosso País”, afirmou.

À reportagem, a ministra destaca que populações negras, periféricas e povos tradicionais são justamente as que vivem nos territórios mais vulnerabilizados, áreas que convivem com enchentes, desmatamento e impactos diretos do desequilíbrio ambiental.

Somente na capital cearense, por exemplo, quase metade da população vive em locais vulneráveis. Durante a COP, a gestão municipal lançou iniciativas voltadas à justiça climática. A agenda do prefeito Evandro Leitão (PT) também pautou financiamento e teve articulações internacionais.