O Consórcio Nordeste é o principal responsável por levar a pauta das potencialidades da Caatinga durante a COP30, realizada em Belém (PA).
Durante entrevista exclusiva ao Opinião CE, que realiza a cobertura especial do evento, o diretor de Planejamento do Banco do Nordeste (BNB), Aldemir Freire, destacou que a articulação regional promovida pelo Consórcio tem sido decisiva para elevar a capacidade da região de captar investimentos e construir políticas de desenvolvimento de longo prazo.
Segundo ele, a união dos nove estados representa “a grande inovação da administração pública brasileira deste século”.
Aldemir afirmou que há uma relação direta entre as agendas do Nordeste, da Caatinga e do próprio BNB. Por isso, o banco tem ampliado sua atuação em preservação, uso sustentável e restauração do bioma, reconhecido como uma das áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas.
“Não dá para falar de Nordeste sem falar de Caatinga, e não dá para falar de Caatinga sem a participação do Banco do Nordeste”, disse ao Opinião CE. “O banco quer fortalecer esse lado de preservação e restauração, criando políticas permanentes e recursos permanentes.”
Mais recursos para a Caatinga
Nos últimos anos, o BNB acelerou a oferta de recursos não reembolsáveis para iniciativas de conservação. Somente de 2023 para cá, foram lançados editais que somam R$ 41 milhões, sendo um de R$ 15 milhões e outro, em parceria com o BNDES, de R$ 26 milhões, conforme o diretor.
A nova fase inclui mais R$ 50 milhões para os próximos anos, valor que Aldemir define como “patamar mínimo”, já que a expectativa é atrair novos parceiros. Durante a COP30, o BNB e o BNDES anunciaram mais um aporte conjunto: cada instituição deverá investir R$ 50 milhões ao longo dos próximos cinco anos, totalizando R$ 100 milhões para projetos de uso sustentável, preservação e restauração da Caatinga.
“Anualmente, teremos editais de apoio. Estamos criando uma política permanente, para reforçar a capacidade da Caatinga de resistir às transformações climáticas”, enfatizou.
O papel do Consórcio Nordeste
Para Aldemir Freire, o plano de transformação ecológica apresentado pelo Consórcio durante a COP30, estruturado em eixos, metas e 47 objetivos, reforça a importância da ação coordenada entre estados.
“Se queremos um desenvolvimento inclusivo, transformador e justo, ele precisa ser construído a múltiplas mãos. Nenhum governador ou instituição, isoladamente, dará conta. É preciso articulação, coordenação e alinhamento com o Governo Federal”, afirmou o diretor.
Aldemir Freire destacou, ainda, que essa organização fortalece a capacidade da região de captar financiamento climático, especialmente em um contexto em que os estados buscam ampliar investimentos verdes e acelerar a adaptação às mudanças climáticas.

