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Justiça climática só é possível enfrentando o racismo ambiental, defende Anielle Franco

Em entrevista exclusiva ao Opinião CE durante a COP30, em Belém (PA), a ministra da Igualdade Racial afirmou que o enfrentamento à crise climática no Brasil precisa, necessariamente, considerar as desigualdades raciais. Para ela, justiça climática e justiça racial são agendas indissociáveis e devem ocupar o centro dos debates globais.

“Toda vez que a gente pensa em justiça climática, em justiça ambiental, a gente precisa pensar também em justiça racial. É a justiça para aquelas pessoas que mais sofrem, que mais precisam do nosso País”, afirmou.

O Opinião CE realiza a cobertura especial da conferência, com entrevistas exclusivas, análises e informações exclusivas.

À reportagem, a ministra destaca que populações negras, periféricas e povos tradicionais são justamente as que vivem nos territórios mais vulnerabilizados, áreas que convivem com enchentes, desmatamento e impactos diretos do desequilíbrio ambiental.

Em Fortaleza, por exemplo, quase metade da população vive em locais vulneráveis. Durante a COP, a gestão municipal lançou iniciativas voltadas à justiça climática. A agenda do prefeito Evandro Leitão (PT) também pautou financiamento e teve articulações internacionais.

Desigualdade estrutural

Segundo a ministra Anielle Franco, ignorar a desigualdade estrutural é inviável. “É impossível a gente não pensar neles, porque são eles que são colocados às margens nos territórios mais vulnerabilizados”, reforçou.

A ministra também comentou o contexto em que a conferência começou, marcado por dois episódios “muito tristes para o mundo”. Esse cenário, afirma, amplia a responsabilidade dos países em colocar o racismo ambiental como pauta permanente. “Ter cada vez mais o racismo ambiental sendo pautado é fundamental. Como a ministra Marina [Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima] falou, a gente não tem como retroceder. Já perdemos muito. Se perdermos mais um pouco, a gente não tem volta.”

Para ela, o foco da participação brasileira na COP30 é garantir que o debate produza resultados concretos, especialmente para os grupos mais impactados. “Esse é o ponto central do lugar do debate, da escuta”, disse.

“Espero muito, de verdade, como cidadã e como ministra, que a partir daqui a gente tenha resultados concretos. Que a gente possa cuidar daqueles que mais precisam e, sem dúvida nenhuma, deixar um País melhor, um futuro melhor para as próximas gerações.

A fala reforça a crescente pressão para que a transição climática seja, além de sustentável, socialmente justa, condição que, segundo ela, passa diretamente pelo enfrentamento ao racismo ambiental.