Estudantes de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará levam o projeto de extensão “Cuida, Criatura!”, voltado para o jornalismo ambiental, à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas 2025 (COP30), em Belém do Pará, através de doações e vaquinhas virtuais.
Os estudantes de jornalismo Ana Alice Freire e Bernardo Maciel, ao lado dos cofundadores do projeto, Gabriel Matos e Mafê Melo, se prepararam desde janeiro para estar hoje no maior evento internacional sobre o meio ambiente.
A equipe do Cuida, Criatura! decidiu angariar recursos desde o início de 2025. O projeto ativo há 1 ano e 7 meses possui um programa na Rádio Universitária FM 107.9 sobre jornalismo ambiental, orientado pela professora e jornalista Rosane Nunes da UFC.
“Quando a gente decidiu isso, a gente começou uma movimentação coletiva para arrecadar dinheiro para que a gente pudesse estar aqui”, informou Mafê.
Os integrantes realizaram uma vaquinha colaborativa virtual, que foi divulgada através de pessoas influentes em Fortaleza, ao lado de amigos e familiares.
Mafê afirmou, em entrevista ao Opinião CE, que a experiência de cobrir a COP30 é uma possibilidade de ampliar o referencial sobre a pauta climática, a cobertura de um evento grandioso e a entrega de informações complexas para a sociedade.

No sentido profissional, os quatro estudantes de Jornalismo usam a experiência para evoluir na formação como futuros jornalistas.
“Para o projeto, tem sido uma possibilidade gigantesca de ampliar e expandir o nosso referencial”, destacou a jornalista.
ERA APENAS UM SONHO…
No início, estar na COP30 era apenas um sonho para os quatro amigos. A entrevistada relata que o momento de comprar as passagens foi uma confirmação de que o sonho realmente iria se realizar.
“Quando a gente teve as passagens compradas, a gente ficou: cara, está acontecendo! Quando a gente chegou aqui, a gente ficou: meu Deus, como é que a gente lida com todas essas informações?”, contou Mafê.
A cobertura do grande evento foi planejada desde o início do ano. Todos os meios foram usados para fazer o sonho se tornar realidade, mas ainda era um sonho.

Os integrantes sabiam que iriam fazer aquilo ser possível, mas era uma realidade distante. Então, para o projeto, tornar esse sonho realidade, proporcionou a possibilidade de novas ideias e maiores iniciativas.
“A gente está conseguindo olhar para essas fases maiores que estão surgindo pra gente e não temer elas”, relata a integrante.
De acordo com Mafê, cobrir a COP30 revela a coragem que o projeto como um todo teve de sustentar um trabalho tão complexo e grandioso.
QUATRO JOVENS NA CASA DE UMA FAMÍLIA EM BELÉM
A família de Gabriel recebeu o fundador do Cuida junto com seus colegas para passarem todos os dias da cobertura da COP30 em sua moradia.

Os estudantes estão morando em um dos apartamentos da família e criaram um vínculo de apoio e acolhimento. Eles são apresentados à cidade de Belém por meio dos parentes de Gabriel.
“A gente acaba conhecendo Belém com olhares de quem mora em Belém”, disse Mafê.
O DIFERENCIAL: COP30 EXCLUSIVA PARA AS REDES SOCIAIS
O diferencial do Cuida, Criatura! na cobertura da COP30 é um conteúdo direcionado para as redes sociais. Diferente de matérias de apenas adaptações para as redes da mídia tradicional, o projeto pretende comunicar para o Instagram, através de conteúdos completos, redondos e descomplicados os temas mais complexos do evento.
A ideia é levar aos jovens, público-alvo do Cuida, as principais temáticas ambientais mundiais, e, para isso, eles precisam focar na fonte de maior consumo dessa faixa etária: as redes sociais. O projeto realiza uma adaptação de linguagem voltada para as redes.

Essa maneira diferenciada de cobrir a COP30 possui muitos desafios, pois a plataforma do Instagram exige um acompanhamento dos algoritmos e números de entrega para garantir que o conteúdo chegue ao público.
“Essa cobertura está sendo muito desafiadora, a gente passou pelo test drive na cúpula dos líderes e vimos que é um ritmo muito intenso”, relatou Mafê no dia em que foi dada a entrevista (10 de novembro).
No entanto, Mafê destaca como as pessoas entrevistadas durante o evento ficam curiosas em saber que o conteúdo será exclusivo para as redes sociais.
“Porque as pessoas que veem a gente gravando, por exemplo, pessoas que a gente entrevista na rua, acham muito curioso isso ser diretamente para o Instagram”, informou a participante.
A equipe pensou nas melhores estratégias para adaptar tudo para o Instagram.
“Até agora, a coisa tá andando, é um dia de cada vez. Na COP30, mais do que em qualquer outro evento, a gente precisa passar um dia e um conteúdo de cada vez, porque senão a gente fica maluco mesmo”, afirmou a cofundadora do projeto.
Vale ressaltar que o projeto não se resume apenas às redes sociais e muito menos se torna refém de algoritmo, seu principal meio é o programa sonoro na Universitária FM, compostos episódios com conteúdos mais densos e aprofundados.
PARA ALÉM DO EVENTO COP
O projeto buscou cobrir pautas de outros eventos relacionados à COP30, mas espalhados pela cidade. Nisso, o Cuida alcançou temas que unem juventude com saúde, educação e cultura.
“A gente tem esbarrado em muitas coletivas de jovens, conseguindo conexões, conseguindo trazer outros debates para fazer essa discussão tanto chegar em outros estados quanto fazer essas pessoas que estamos conhecendo chegarem no Ceará”, explicou Mafê.
A forma como o projeto encontrou de abordar vários temas, alcançar a juventude e fazer a integração social e cultural entre o Pará e o Ceará foi mantendo uma linguagem descomplicada, através de memes e conteúdos em alta.
A parceria com os outros integrantes da equipe que permaneceram no Ceará, ao todo são 20 jovens, faz com que a cobertura seja entregue da melhor maneira.
“A gente está fazendo tudo isso e tentando comunicar para a juventude, sendo essa juventude também”, pontuou a entrevistada.
UMA NOVA BAGAGEM SOCIAL E PROFISSIONAL
A experiência de cobrir esse grande evento trará uma nova bagagem social e profissional para os integrantes. Apesar dos desafios, os jovens saíram do evento com um repertório jornalístico de muito valor.
“A gente chegou no dia 3 de novembro com uma ideia e a gente vai sair de Belém totalmente diferente, não tem como. A COP30 atravessa a nossa formação profissional, muito dela vai ficar na gente e muito dela vamos levar também”, pontuou Mafê.
A entrevistada defende que um jornalista sem repertório costuma cometer falhas na profissão. Para ela, cobrir esse evento apresenta oportunidades de trabalhar com mais informações e formas de desenvolver o jornalismo independente.
“Para o projeto, tem sido uma possibilidade gigantesca de ampliar e expandir o nosso referencial”, destacou Mafê.
APOIO FINANCEIRO E PARCEIROS
O veículo independente Colabora realizou uma parceria com o projeto. Eles utilizam-se do projeto em troca de conteúdos produzidos pelo Cuida diretamente da COP30 para serem publicados no portal. A ação faz parte da comemoração de 10 anos do veículo neste mês de novembro.

O projeto também teve apoio institucional da UFC e da Rádio Universitária FM 107.9.
