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COP30: Brasil destaca avanços e fortalecimento da adaptação climática, diz professor Hugo Fernandes

Durante o quarto dia da COP30, nesta quinta-feira (13), Hugo Fernandes, professor do Programa Cientista-Chefe e delegado no evento, fez um balanço positivo, ao Opinião CE, das negociações e ressaltou o protagonismo crescente do tema da adaptação climática nas discussões internacionais.

Segundo o professor, a COP30, realizada em Belém, tem apresentado avanços significativos desde o início das atividades. “Começamos o primeiro dia com a aprovação muito rápida da agenda, o que pode parecer algo corriqueiro, mas não é. Uma agenda aprovada de forma rápida é algo muito incomum em uma COP e garante celeridade nas negociações”, afirmou.

Hugo também destacou que 111 Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) já foram entregues pelos países participantes, o que representa mais de 75% das emissões globais. “É um balanço excelente”, avaliou, embora tenha reconhecido que alguns países ainda não apresentaram suas metas. “Isso a gente coloca como um dos pontos de entrave. Espero que entreguem até o final da COP“, acrescentou.

Um dos principais pontos ressaltados por Hugo Fernandes foi a mudança de tom das discussões sobre adaptação climática, que vêm recebendo mais atenção dos países e negociadores.

“Essa pauta ganhou um tom muito mais robusto. Trata-se de pensar em como investir em infraestrutura e mecanismos socioeconômicos para resistir aos problemas que já acontecem e aos que virão. Eu acredito que essa será a nota principal desta COP30“, afirmou o professor.

Além da ênfase na adaptação, o delegado destacou novos aportes financeiros prometidos por alguns países, destinados tanto à adaptação quanto à regulação das mudanças climáticas.

Desafios diplomáticos e próximos passos

Questionado sobre entraves nas negociações, Fernandes mencionou que Japão e União Europeia demonstraram resistência ao aumento de metas de financiamento climático. No entanto, ele avalia que há sinais de avanço.

“A União Europeia e o Japão têm recuado um pouco na questão do aumento das suas metas de financiamento. Mas acredito que o trabalho da diplomacia brasileira para evitar o adiamento das discussões para a COP31, na Austrália, tem sido muito eficiente. Espero que continue assim”, afirmou.