Identificar riscos ambientais de Fortaleza, e assim, evitar que comunidades sejam afetadas gravemente pelas mudanças recentes do clima. É esse o principal trabalho que o Serviço Geológico do Brasil (SGB) tem realizado nas 12 regionais da cidade, desde junho deste ano.
Nesta última sexta-feira (7), a equipe finalizou a segunda campanha de campo, iniciada em 27 de outubro. Com previsão de mais duas, as ações consistem no levantamento das áreas de risco geohidrológicos do município.
O trabalho visa identificar e classificar as áreas urbanas sujeitas a processos como inundações e deslizamentos em áreas de dunas, principalmente em períodos chuvosos, é o que explica Juliana Gonçalves, geóloga, pesquisadora em geociência do SGB, ao OPINIÃO CE.
“Em Fortaleza nossa equipe começou a pontuar áreas que poderiam ter problemas, a partir de mapeamentos antigos, fotointerpretações, ocorrências da Defesa Civil e relatos de pessoas”, pontua.
Com apoio da Defesa Civil de Fortaleza, agentes de cidadania e de lideranças comunitárias das regiões visitadas, a ação integra a primeira etapa da elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos, o PMRR.
A equipe esteve presente, entre os dias 7 e 8 de novembro, na Feira do Conhecimento, realizada pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, em parceria com outras instituições públicas e privadas.
No Plano Diretor da cidade, que foi discutido entre os dias 24 a 26 de outubro, na Conferência da Cidade, antes de sua ida para a Câmara Municipal, mais de 10 artigos abrangem medidas diante das áreas de risco.
No entanto, em relação à Fortaleza, não há dados mais atualizados sobre riscos ambientais realizados em âmbito municipal. O mais recente levantamento é de 2012, organizado pela Defesa Civil de Fortaleza (DCFor), em que foram apontadas 89 áreas de risco na cidade, com 21.345 famílias em situação vulnerável ambientalmente.
ÁREAS DE RISCO E DIÁLOGO COM A POPULAÇÃO
Conforme o SGB, durante o mapeamento, os geólogos pesquisadores percorrem as áreas ocupadas próximas às dunas e aos corpos hídricos (rios, córregos e lagoas), conversando com os moradores e buscando informações sobre os processos que ocorrem nesses locais.
Como destaca Juliana ao OPINIÃO CE, o levantamento tem caráter preventivo, por meio do mapeamento das áreas críticas, para que, em um segundo momento, possam ser propostas medidas para tentar sanar ou mitigar os problemas identificados.
“A gente só consegue prevenir o que a gente conhece, então a partir do momento que a gente está fazendo a identificação das áreas de risco do município a gente espera contribuir com a prevenção de desastres dentro do município de Fortaleza”, complementa.
A entrega dos produtos finais do PMRR está prevista para final de 2026, que tem sido elaborado em uma parceria entre SGB e a Secretaria Nacional de Periferias.
Segundo Juliana, o objetivo é que, com esses resultados, sejam elaboradas obras de engenharia que possam garantir, ao máximo, a continuidade das comunidades que vivem nessas áreas de risco, e tentar solucionar o problema sem que haja qualquer tipo de remoção.
“Cada área visitada de alto e muito alto risco terá um programa de engenharia vinculado para o município desenvolver um trabalho em cima disso, nosso objetivo não é de jeito nenhum tirar as pessoas de suas casas, a gente tem noção que não é fácil você ser removido, e ser realocado para uma região que você não conhece, que você não conhece seu vizinho, que não sabe com quem contar”, detalha.
A geóloga ressalta ainda que o diálogo com a população ocorre por meio de informações sobre os procedimentos sem que haja desconforto. Para a pesquisadora, a iniciativa é também é uma oportunidade de levar conhecimento técnico para a realidade local, principalmente para as áreas periféricas.
“Uma coisa que temos observado é que quando a população sabe que a gente tá lá, conhece, as portas se abrem, elas começam a falar mais sobre suas realidades”, completa.
Na primeira campanha, foram visitadas as regionais 7, 4 e 9. Na segunda foram a 8, 10 e 12. Já nos próximos levantamentos serão observadas as regionais 5, 6 e 11.
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