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Senado aprova recondução de Paulo Gonet à PGR em meio a críticas e embates políticos

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (12), por 17 votos a 10, a recondução de Paulo Gonet ao cargo de procurador-geral da República por mais dois anos. A decisão foi confirmada pelo plenário da casa legislativa por 45 favoráveis e 26 contrários.

Durante a sabatina, Paulo Gonet apresentou um balanço da gestão e respondeu a críticas de senadores aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) sobre o papel da Procuradoria-Geral da República (PGR) nas investigações da tentativa de golpe de Estado.

O senador Jorge Seif (PL-SC) acusou Paulo Gonet de integrar um conluio para perseguir Bolsonaro. “Estão fazendo uma covardia, uma perseguição com o Bolsonaro, inclusive sob patrocínio do Ministério Público Federal (MPF), infelizmente”, afirmou o parlamentar de extrema-direita.

DEFESA DE GONET

O procurador-geral negou qualquer motivação política a atuação dele e destacou que trabalha de forma técnica. “Todas as minhas manifestações estão baseadas em razões devidamente expostas. Quando houve ausência de provas para oferecer denúncia, eu arquivei o inquérito”, disse, citando o caso sobre suposta fraude no cartão de vacinação de Jair Bolsonaro.

Para o senador Renan Calheiros (MDB-AL), porém, o ex-presidente sempre demonstrou inclinações golpistas. “Bolsonaro nunca escondeu que tentaria dar um golpe. Desde o discurso de posse, insinuava que poderia recrudescer o processo democrático. E assim aconteceu”, afirmou.

Paulo Gonet defendeu a atuação institucional da PGR e reforçou que a gestão dele busca preservar o equilíbrio e o respeito entre os poderes da República.

EXPOSIÇÃO MIDIÁTICA

Um dos principais argumentos de Paulo Gonet para a recondução foi o fim da busca por protagonismo na mídia. Ele destacou que o Ministério Público Federal passou a evitar vazamentos de investigações e atuações com objetivos políticos. “As atividades do MPF não buscam mais a exposição midiática. Queremos cumprir nossa função e colher o reconhecimento da sociedade apenas após a conclusão dos casos”, declarou.

O relator da indicação, senador Omar Aziz (MDB-AM), elogiou o comportamento do procurador-geral. “Paulo Gonet não é midiático. Trata os assuntos nos autos e não pela imprensa tentando ganhar curtidas. Isso é essencial”, disse.

IGUALDADE DE GÊNERO

Mesmo votando a favor da recondução, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) criticou o posicionamento de Paulo Gonet sobre a lei estadual 12.479/2025, do Espírito Santo, que permite aos pais vetar a participação dos filhos em atividades escolares sobre gênero.

Em parecer, o procurador-geral considerou a norma constitucional. Contarato afirmou que a posição do PGR enfraquece o combate às desigualdades. “O professor vai ter que perguntar se pode dizer que homens e mulheres são iguais. Isso é um retrocesso”, enfatizou.

O titular da PGR respondeu que a lei apenas equilibra o direito das famílias com o papel educativo das escolas. “A norma faz uma ponderação entre o poder familiar e o interesse na formação dos alunos”, explicou.

CRIME ORGANIZADO

Questionado sobre o enfrentamento ao crime organizado, Paulo Gonet mencionou acordos firmados com outros países e destacou a importância de respeitar direitos humanos. “Vivemos uma situação grave que exige comprometimento das forças democráticas. O combate deve ser firme, mas com respeito à dignidade das pessoas”, afirmou o procurador-geral.

Com informações da Agência Brasil