Nesta quarta-feira (12), o Opinião CE participou de uma entrevista coletiva com a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB-MS), durante sua participação na COP30, em Belém. A ministra destacou que o Brasil já começa a sentir os resultados concretos do evento internacional, com anúncios de investimentos bilionários voltados à bioeconomia, infraestrutura verde e recuperação de áreas degradadas.
Segundo Tebet, os impactos para o Brasil e, especialmente, para os estados amazônicos, são imediatos. “A COP tem dois resultados: um para o mundo e outro para o país que a sedia. Para o mundo, o resultado vem ao fim, com o acordo final. Mas, para o país anfitrião, o resultado começa no primeiro dia“, afirmou.
A ministra apresentou três grandes projetos que já estão em execução e que, segundo ela, demonstram que a COP30 é um “sucesso absoluto” para o Brasil.
R$ 20 bilhões para micro e pequenos empreendedores da bioeconomia
O primeiro projeto é uma parceria entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que destina R$ 20 bilhões para micro e pequenos empresários da Amazônia investirem em bioeconomia, abrangendo cadeias produtivas do açaí, cacau, pesca e floresta, além de cidades resilientes.
“Esses recursos já estão disponíveis para o microempreendedor e o pequeno comerciante que queira investir em negócios sustentáveis, do açaí ao cacau, passando pelo pescado e pela floresta”, disse Tebet.
US$ 1 bilhão para infraestrutura verde e habitação sustentável
O segundo projeto anunciado destina US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,6 bilhões) a municípios e estados amazônicos para investimentos em infraestrutura urbana sustentável.
Segundo a ministra, a proposta visa garantir que as populações urbanas da Amazônia, que não vivem dentro da floresta, também se beneficiem das políticas de sustentabilidade.
“Não dá para falar em sustentabilidade sem pegar na mão do povo e dizer: você não vai ficar para trás. Vamos garantir casa popular com teto solar, saneamento básico, transporte público elétrico e cidades mais resilientes”, afirmou Tebet.
Parcerias público-privadas para recuperar áreas degradadas
Tebet também anunciou um projeto-piloto de parceria público-privada (PPP) firmado com o governo do Pará, voltado à recuperação de áreas desmatadas.
A iniciativa envolve 10 mil hectares que serão entregues à iniciativa privada para restauração ecológica, turismo sustentável e geração de empregos.
“Essa PPP prevê o plantio de dois milhões de mudas, vai resolver o problema do carbono e vai gerar 2 mil empregos. É um exemplo de como desenvolvimento e meio ambiente podem andar juntos. Vamos quebrar o tabu de que é ou o meio ambiente ou o desenvolvimento. Não é uma coisa ou outra, são as duas coisas integradas”, afirmou.
Resultados concretos e integração dos biomas
Simone Tebet destacou que, em apenas dois dias de COP30, o Brasil já tem resultados concretos, sobretudo na Amazônia, mas também com reflexos em outros biomas, como o Cerrado, a Caatinga, a Mata Atlântica e os Pampas.
“Esses investimentos também poderão atender outros biomas, porque a Amazônia depende do Cerrado, e o Cerrado depende da Amazônia. Nós dependemos do Cerrado para comer e da floresta amazônica para sobreviver enquanto humanidade”, afirmou.

