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“Emergência climática é uma crise da desigualdade”, diz Lula na abertura da COP30

O presidente Lula (PT) defendeu, durante a abertura da COP30, nesta segunda-feira (10), que o planeta precisa contribuir a favor de uma transição justa para reduzir as desigualdades entre o Norte e o Sul Global.

De acordo com o chefe do Executivo, a emergência climática é “uma crise da desigualdade”.

“Ela expõe e exacerba o que já é inaceitável. Ela aprofunda a lógica perversa que define quem é digno de viver e quem deve morrer. Mudar pela escolha nos dá a chance de um futuro que não é ditado pela tragédia. O desalento não pode extinguir as esperanças da juventude”, disse.

O petista afirmou que as nações devem “aos filhos e aos netos” as oportunidades de viver em “uma Terra onde seja possível sonhar”.

Lula enfatizou que o aquecimento global pode empurrar milhões de pessoas para a fome e para a pobreza, fazendo retroceder décadas de avanço, e lembrou o impacto desproporcional que a mudança do clima causa sobre minorias como mulheres, afrodescendentes, migrantes e grupos vulneráveis.

Crítica aos negacionistas

Ainda em seu discurso, o presidente fez duras críticas aos que negam a ciência e usam a desinformação para contrariar evidências das mudanças no clima global. Ele repetiu uma fala anterior de que a COP30 será a “COP da verdade”.

Conforme ele, os “obscurantistas controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo, além de atacar as instituições, a ciência e as universidades”.

“É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas. Sem o Acordo de Paris, o mundo estaria fadado a um aquecimento catastrófico de quase cinco graus até o fim do século. Estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada”, apontou.

Superação da dependência dos combustíveis fósseis

O presidente, ainda em seu discurso, pediu que os líderes acelerem as ações necessárias para conter o aumento da temperatura do planeta, voltou a defender um mapa do caminho para superar a dependência dos combustíveis fósseis — que causam 75% do aquecimento global — e sugeriu a criação de um conselho mundial sobre o tema.

“Avançar requer uma governança global mais robusta, capaz de assegurar que palavras se traduzam em ações. A proposta de criação de um Conselho do Clima, vinculado à Assembleia Geral da ONU, é uma forma de dar a esse desafio a estatura política que ele merece”, pontuou.

Ao citar o chamado à ação por parte do Brasil na COP30, Lula destacou a necessidade de formulação e implementação de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) mais ambiciosas, garantia de financiamento, transferência de tecnologia e capacitação aos países em desenvolvimento, além de priorizar políticas de adaptação aos efeitos da mudança do clima.