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Diretor da Associação Caatinga espera que bioma seja tratado como prioritário na COP30

Diretor executivo da Associação Caatinga, Daniel Fernandes. Foto: Opinião CE

A Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro e que está presente no Nordeste e no norte de Minas Gerais, deve ser pauta de discussão na COP30, maior evento global sobre mudanças climáticas e que teve início nesta segunda-feira (10), em Belém.

Ao Opinião CE, o diretor executivo da Associação Caatinga, Daniel Fernandes, afirmou que espera que o bioma seja tratado como prioritário para a mitigação dos efeitos do aquecimento global.

Como destacou, a floresta do bioma possui um papel crucial na mitigação dos efeitos do aquecimento global. De acordo com o diretor, uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) apontou que, nos anos de 2015 a 2022, a Caatinga foi responsável por cerca de 50% do sequestro de carbono do Brasil inteiro, mesmo ocupando apenas 11% do território nacional.

“Isso mostra o papel crucial da Caatinga nesse processo de reversão desse quadro, desse desafio climático”, afirmou.

Por meio do sequestro de carbono, há o armazenamento do dióxido de carbono da atmosfera, com o objetivo de mitigar as mudanças climáticas.

Para que a Caatinga siga exercendo o papel de mitigação do aquecimento global, no entanto, é necessário que haja financiamento para a sua preservação. “O financiamento climático é um desafio da COP e ponto central das discussões. Os países envolvidos precisam financiar países em desenvolvimento para que a gente tenha mais projetos socioambientais relacionados à conservação dos recursos naturais e à recuperação dos ecossistemas”, acrescentou.

Papel das comunidades catingueiras

Ainda segundo Fernandes, as comunidades presentes no bioma — principalmente as quilombolas e indígenas — precisam ter um papel de protagonismo no processo de preservação da Caatinga.

“Precisam participar de forma ativa nesse processo de conservação da natureza e restauração do que já foi degradado. A Caatinga já perdeu, infelizmente, quase 50% da sua cobertura vegetal”, ressaltou.

Além disso, de acordo com o diretor, cerca de 13% do território do bioma já está em estágio avançado de desertificação. “Isso acarreta uma série de problemas não só ambientais, mas sociais e econômicos. Estamos interferindo, ao desmatar a Caatinga, no ciclo hidrológico; as pessoas vão enfrentar mais eventos severos da natureza, como secas e, em alguns locais, enchentes também”, afirmou.

Com informações de Rodrigo Rodrigues.