O presidente-designado da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, divulgou neste domingo (9) sua décima e última carta à comunidade internacional, convocando os países a fazer de Belém “um ciclo de ação” no enfrentamento à crise climática.
O documento, publicado às vésperas do início oficial da Conferência, nesta segunda-feira (10), resume os principais pontos das cartas anteriores e reforça o chamado para que a transformação global ocorra de forma conjunta.
“A COP30 pode marcar o momento em que a humanidade recomeça — restaurando nossa aliança com o planeta e entre gerações. Devemos abraçar esse privilégio como responsabilidade, pelas pessoas que amamos, pelas gerações que vieram antes e pelas que ainda virão”, escreveu Corrêa do Lago.
Na carta, o embaixador faz uma retomada histórica das discussões sobre o clima, desde a ECO-92, no Rio de Janeiro, e destaca que a conferência de Belém representa a continuidade de um esforço coletivo que precisa se traduzir em resultados concretos.
“Em Belém, honraremos essa continuidade: a capacidade de nossa espécie de cooperar, renovar-se e agir em conjunto diante da incerteza”, afirmou.
O Opinião CE realiza uma cobertura especial in loco, trazendo entrevistas exclusivas, detalhes da organização e execução do evento, e análise dos impactos que as decisões tomadas na COP podem ter no Ceará.
Conforme a secretária do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Ceará, Vilma Freire, o Ceará busca se consolidar como um dos principais destinos para investimentos em projetos sustentáveis e energia limpa no Brasil. Além disso, na terça-feira (11), será lançado o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE), encabeçado pelos estados do Nordeste.
O momento contará com a presença do governador Elmano de Freitas (PT) e de outros representantes cearenses.

“Equipe coesa e comprometida”
Corrêa do Lago ressaltou, na carta enviada à imprensa, que sua prioridade é garantir que os quase 200 países participantes atuem como uma equipe coesa, comprometida com o propósito comum de proteger sociedades, economias e ecossistemas. Ele defendeu que a conferência seja um “laboratório de soluções”, superando disputas políticas e transformando o debate climático em ações concretas.
“A COP30 será a COP da Verdade. Ou decidimos mudar por escolha, juntos, ou seremos forçados a mudar pela tragédia. Temos uma escolha. Podemos mudar. Mas precisamos fazê-lo juntos”, declarou.
A partir desta segunda-feira (10), as negociações da COP30 terão início com foco nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), metas de mitigação que cada país apresenta para reduzir emissões de gases de efeito estufa.
O Brasil assumiu o compromisso de reduzir entre 59% e 67% suas emissões até 2035, abrangendo todos os setores da economia. Até o momento, 79 países já apresentaram suas NDCs, representando 64% das emissões globais. Outros 118 países, responsáveis pelos 36% restantes, ainda devem anunciar suas metas.
A expectativa é que a COP30 seja o espaço de consolidação de novos acordos de financiamento verde, especialmente voltados aos países em desenvolvimento, com o objetivo de acelerar a transição para uma economia global de baixo carbono. “Com esta décima carta, concluo um ciclo de palavras para que o mundo abra um ciclo de ação; estamos quase lá”, finalizou o embaixador.

