Em busca de iniciar negociações voltadas à intensificação do comércio e à atração de investimentos argentinos no estado, a Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE) recebeu, na manhã desta quinta-feira (6), a cônsul-geral da Argentina para a região Nordeste, Julieta Grande. Ela foi recebida pelos secretários Executivos de Comércio, Serviços e Inovação, Vicente Ferrer, e do Agronegócio, Sílvio Carlos Ribeiro.
A visita marcou a primeira vinda da cônsul ao Ceará, que atualmente não conta com consulado honorário. O estado se apresenta como uma porta de entrada estratégica para produtos e negócios argentinos na região, com uma das prioridades sendo a redução de custos de importação para o mercado local.
Segundo Vicente Ferrer, a meta é estreitar a relação comercial entre Argentina e Nordeste, com foco no Ceará, atualmente dependente de intermediários do Sul do país, especialmente de São Paulo.
“O objetivo é fazer o intercâmbio, uma intensificação desse comércio diretamente da Argentina com a região Nordeste, uma vez que hoje os produtos, em sua grande maioria, são feitos por revendedores da região Sul”, ressaltou o secretário.
A cônsul Julieta Grande destacou a possibilidade de estabelecer negociações com a Associação Cearense de Supermercados (Acesu), visando à importação direta de produtos argentinos.

Durante o encontro, a SDE ofereceu à Argentina a infraestrutura logística e portuária do estado, considerada um diferencial competitivo. Entre os pontos destacados estão:
- energia com baixo custo, que o estado pode disponibilizar de forma atraente para empresas argentinas;
- logística e conectividade, com 17 cabos submarinos, portos, malha terrestre e a ferrovia Transnordestina.
A cônsul demonstrou interesse em empresas argentinas de setores variados, incluindo autopeças, tecnologia nuclear, agronegócio, pequenas máquinas e equipamentos para agricultura familiar e adubos químicos.
Julieta Grande reforçou que o atual governo argentino busca intensificar o comércio com o Brasil, em crescimento nos últimos anos, e vê no Ceará um ponto estratégico para exportação e importação, inclusive com destino à Europa e aos Estados Unidos, especialmente com o acordo Mercosul-União Europeia prestes a ser concluído.
